Os houthis do Iêmen, aliados do Irã, afirmaram que a Arábia Saudita atacou a capital iemenita, Sanaa, nesta terça-feira (13). O ataque ocorreu depois que uma coalizão liderada pelos sauditas alertou civis para que se afastassem de um depósito de petróleo nos arredores da cidade.
No sábado, um ataque houthi com mísseis balísticos ao Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riade, matou pelo menos 13 pessoas e deixou mais de 300 feridos. O aeroporto precisou ser fechado. Segundo a Reuters, esse foi o ataque mais letal na Arábia Saudita em dez anos.
A emissora de televisão controlada pelos houthis informou que o alvo do ataque a Sanaa foi um depósito de combustível nos arredores da cidade. A Companhia de Petróleo do Iêmen (YPC) afirmou que a instalação não tinha estoque de derivados de petróleo no momento e que o ataque não afetou as reservas nem o abastecimento.
O grupo, fundado por Hussein Badreddin al-Houthi, havia ameaçado dar uma resposta “dura e dolorosa” a qualquer ataque a Sanaa. O porta-voz dos houthis, Yahya Saree, afirmou que os alvos poderiam incluir a sede da petrolífera Saudi Aramco, em Dhahran, e uma refinaria em Riade.
Os houthis também alertaram os trabalhadores do setor de petróleo na Arábia Saudita para que se mantenham longe de possíveis alvos. O gabinete saudita, presidido pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, afirmou em comunicado que os houthis vão enfrentar consequências pelos ataques ao reino.
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Trump, petróleo e eleições
Também nesta terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou os houthis de tentarem elevar os preços do petróleo antes das eleições de meio de mandato nos EUA, em 3 de novembro, e afirmou que “nunca vai esquecer” os ataques à Arábia Saudita.
“Os houthis estão se comportando muito mal”, escreveu Trump na rede Truth Social. Segundo ele, o grupo retomou os ataques a mando do Irã, depois de um período de relativa calma que se seguiu aos bombardeios americanos no Iêmen no ano passado. Trump disse que a advertência vale para depois da votação:
“Estarei lá depois das eleições e nunca vou esquecer!”
Mais cedo, Trump disse a repórteres que “talvez” peça ao presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, que intervenha em apoio aos sauditas.
“O presidente Erdogan, creio eu, faria o que eu pedisse”, afirmou.
Guerra civil no Iêmen
Os houthis, que integram o chamado “Eixo da Resistência”, aliança liderada pelo Irã em oposição aos Estados Unidos e a Israel, controlam grande parte do Iêmen. No Ocidente, o grupo é conhecido pelo nome de seu fundador, mas se autodenomina oficialmente Ansar Allah, ou “Partidários de Deus”.
O grupo luta desde 2014 contra o governo iemenita, reconhecido internacionalmente e apoiado pela Arábia Saudita. O reino retomou a campanha militar no país para tentar reverter o avanço dos houthis no mês passado, quando o grupo chegou à costa do mar Vermelho e ao estreito de Bab el-Mandeb.
O estreito Bab el-Mandeb, na entrada sul do mar Vermelho, se tornou ainda mais importante para o abastecimento de energia da Arábia Saudita e de outros países desde o início da guerra com o Irã, em fevereiro. A retomada dos ataques houthis aumentou a preocupação com interrupções no abastecimento de petróleo e nas rotas marítimas.
Uma ofensiva do governo iemenita iniciada há uma semana afastou os houthis da área mais próxima do estreito, mas o grupo segue posicionado nas proximidades e avançou neste mês na região da cidade de Taiz. Além disso, a Arábia Saudita vem buscando mais apoio de aliados para a campanha contra os houthis e para se defender dos ataques com mísseis e drones.
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(Com informações da Reuters)
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