Alvin K. Hellerstein, o juiz americano que conduzia o processo em Nova York contra o presidente deposto da Venezuela Nicolás Maduro, morreu aos 92 anos. A informação foi confirmada por funcionários do Judiciário nesta quarta-feira (28).
O juiz atuou por quase 30 anos no tribunal federal de Manhattan, em Nova York. Segundo um comunicado da juíza-chefe Laura Taylor Swain, ele morreu cercado pela família e o velório está marcado para quinta-feira (29), na capela Riverside Memorial, em Manhattan.
Por ser um dos juízes federais mais antigos do país, haviam surgido dúvidas se ele seria o magistrado adequado para presidir o que poderia ser um longo julgamento contra Maduro por acusações de narcotráfico. Hellerstein iria conduzir o julgamento, marcado para junho de 2027. Com a morte dele, o caso foi atribuído à juíza Analisa Torres, juíza distrital de 67 anos.
O juiz conduziu por mais de uma década o processo de narcotráfico relacionado a Maduro, que já resultou na condenação do ex-chefe de inteligência da Venezuela Hugo Armando Carvajal. Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados por forças americanas em janeiro, durante uma operação militar na Venezuela.
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Carreira do juiz
Formado em Direito pela Universidade Columbia, Hellerstein atuou como advogado no Exército dos Estados Unidos de 1957 a 1960, antes de ingressar na advocacia privada. Foi indicado pelo então presidente Bill Clinton, em 1998, para o cargo de juiz do Distrito Sul de Nova York.
A extensa carreira de Hellerstein incluiu a supervisão dos processos civis decorrentes dos atentados terroristas da Al-Qaeda de 11 de setembro de 2001, em Nova York e Washington, nos quais frequentemente rejeitou acordos que considerava injustos para os autores das ações.
Em uma decisão de destaque de 2015, Hellerstein ordenou ao governo dos Estados Unidos que divulgasse um grande número de fotografias que mostravam abusos contra detidos no Iraque e no Afeganistão. No ano passado, impediu que o governo Donald Trump deportasse supostos integrantes de uma organização criminosa venezuelana sem uma audiência judicial.
Também presidiu, no ano passado, um julgamento em que um júri concluiu que as atividades do banco francês BNP Paribas no Sudão contribuíram para sustentar o regime do ex-governante Omar al-Bashir. Na decisão, três autores sudaneses receberam um total de US$ 20,75 milhões (R$ 110,8 milhões) em indenizações.
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* Com informações da agência de notícias AFP.
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