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Netanyahu lidera apuração em Israel e deve seguir como premiê interino

Nenhum dos blocos alcança maioria no Parlamento, e oposição depende dos partidos árabes para afastar o primeiro-ministro

Benjamin Netanyahu, de terno escuro e gravata vermelha, fala diante de microfones em frente a um painel azul com o emblema do gabinete do primeiro-ministro de Israel e uma bandeira israelense ao lado.
Netanyahu deve seguir como primeiro-ministro interino de Israel (Crédito: Reprodução/Reuters)

Benjamin Netanyahu obteve o apoio de uma parcela inesperadamente grande dos eleitores judeus de Israel em uma eleição vista como um marco na história do país e, ao que tudo indica, deve continuar no cargo de primeiro-ministro, ao menos de forma interina.

Com cerca de 70,7% das urnas apuradas na manhã desta quarta-feira (28), a imprensa israelense projetava 54 cadeiras no Parlamento para o bloco de Netanyahu, que reúne partidos de direita, extrema direita e ultraortodoxos. A oposição, liderada pelo rival Gadi Eisenkot, ficaria com 47, e os partidos que representam israelenses de origem árabe somariam 19.

O quadro ainda pode mudar com o avanço da apuração, mas a chance de vitória de Eisenkot ficava cada vez mais distante. Seu bloco contrário a Netanyahu, que vai da centro-esquerda à direita, teve resultado abaixo do apontado pelas pesquisas anteriores à votação, que indicavam uma disputa apertada.

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Como já se previa, Netanyahu perdeu a maioria de seu bloco no Knesset, que tem 120 cadeiras. Ainda assim, os adversários não têm como afastá-lo sem algum apoio dos partidos árabes, possibilidade que muitos rejeitaram. De todo modo, ele seguiria como premiê interino durante eventuais negociações de coalizão ou até uma nova eleição no ano que vem.

As duas principais listas árabes de Israel caminham para conquistar um número recorde de cadeiras e, se as projeções se confirmarem, podem garantir a maioria ao bloco de Eisenkot. Yussef Jabareen, líder da Lista Unificada, que reúne três partidos de maioria árabe, defendeu nesta quarta uma “verdadeira aliança judaico-árabe” para tirar Netanyahu do poder.

“Quem quiser oferecer uma alternativa real e autêntica ao governo de Netanyahu, cujas mãos estão manchadas de sangue, deve nos procurar e abrir caminho para a mudança”, disse Jabareen à imprensa israelense.

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Netanyahu pede governo de direita

Netanyahu defendeu a criação de “um governo nacional forte e de direita” em discurso a apoiadores do Likud, seu partido, na sede de campanha da legenda em Jerusalém, depois das 3h da madrugada.

O premiê também ressaltou as vitórias militares de Israel e mencionou a possibilidade de uma nova ofensiva contra o Irã em conjunto com seu aliado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

“Israel enfrenta uma oportunidade histórica única, juntamente com nosso parceiro, o presidente Trump, de eliminar de uma vez por todas a ameaça existencial do Irã. Mas motivos ocultos não devem nos desviar dessa missão sagrada”, declarou.

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Trump disse que Netanyahu se saiu “muito bem” e atribuiu o resultado ao próprio apoio. Em comício no Texas, afirmou que a disputa pode terminar em “uma vitória ou um empate”. Antes da votação, o presidente norte-americano havia pedido aos eleitores israelenses que mantivessem o premiê no poder para que pudessem “concluir o trabalho” no Irã.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou nesta quarta que qualquer ação militar provocada por Israel no Golfo Pérsico teria efeito devastador sobre os mercados internacionais e preocupa fornecedores e consumidores de gás. A declaração foi feita na rede social X.

Rival pede que Netanyahu deixe a política

Eisenkot admitiu que Netanyahu segue no cargo de forma interina, mas disse que o primeiro-ministro perdeu o respaldo da população e pediu que ele deixasse a vida política. O opositor também advertiu que Netanyahu pode usar a área de segurança com objetivos políticos.

“Faço um apelo aos chefes do aparato de segurança e do serviço público: Netanyahu é um primeiro-ministro interino, sem mandato nem a confiança do povo”, declarou.

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Presidente quer evitar nova eleição

O presidente de Israel, Isaac Herzog, defendeu nesta quarta que o país evite uma nova eleição, depois que resultados parciais mostraram que nenhum dos dois principais blocos conquistou maioria no Parlamento. Cabe a ele definir qual candidato será encarregado de formar o governo.

“Uma coisa precisa ficar clara, e eu disse isso também antes das eleições: precisamos fazer tudo o que pudermos, certamente depois de ontem, para evitar outra rodada de eleições”, afirmou.

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Agressor é morto perto de embaixada israelense

A polícia da Sérvia matou nesta quarta um suposto simpatizante do grupo Estado Islâmico (EI) que atacou um agente com duas facas em frente à embaixada de Israel em Belgrado, informou o ministro do Interior sérvio, Ivica Dacic. O policial teve um ferimento leve no rosto, e o alerta de terrorismo no país foi elevado ao nível máximo.

Israel classificou o caso como tentativa de “atentado terrorista” e informou que nenhum funcionário ficou ferido. A representação estava fechada no momento do ataque, que ocorreu pouco depois da divulgação dos primeiros resultados da eleição.

*Com informações da Reuters e da AFP

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