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Israel vai às urnas pela 1ª vez desde os ataques do Hamas

Apoiado por Donald Trump, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tenta permanecer no poder

Prédio retangular de concreto claro com colunas na fachada e telhado plano, cercado por grade metálica e jardim, com um ponto de ônibus na calçada em frente, onde duas pessoas aguardam, sob céu azul.
Sede do Parlamento de Israel, em Jerusalém (Crédito: Gary Todd/Wikimedia Commons)

Israel realiza nesta terça-feira (27) a primeira eleição desde os ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023 e registrou o maior comparecimento nas três primeiras horas de votação desde 1981. O pleito funciona como uma avaliação do governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu em plena guerra e é considerado o mais decisivo da história do país.

O dia tem sido marcado por críticas e prisões. Netanyahu acusou opositores árabes de tentar “roubar as eleições”, enquanto seu principal rival, o ex-chefe militar Gadi Eisenkot, pediu a saída do “pior governo” já visto no país. Além disso, a polícia deteve um homem com uma faca que se aproximou de forma ameaçadora do líder do principal partido de esquerda, Yair Golan, em Tel Aviv.

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Comparecimento recorde nas primeiras horas

A Comissão Central de Eleições informou que 16,7% dos eleitores aptos votaram nas três primeiras horas, o ritmo mais acelerado para o começo de uma votação desde 1981. As seções abriram às 7h e fecham às 22h, no horário local.

“Acho que essas eleições são as mais importantes de todas as que já presenciei”, afirmou Ruth Epstein, de 81 anos, eleitora histórica da esquerda, que votou nos democratas, de oposição, na região de Tel Aviv. “Estou realmente com medo do que vai acontecer por aqui.”

Morador de Jerusalém, o apoiador de Netanyahu Louis Lipsky contou que votou para manter o premiê no cargo e atribuiu a ele a normalização das relações com vários países árabes por meio dos Acordos de Abraão, firmados em 2020.

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Netanyahu convoca eleitores e acusa árabes de fraude

Ao votar em Jerusalém, Netanyahu pediu que os israelenses escolhessem “do jeito certo”. Ele também convocou a base de seu partido, o Likud, a comparecer às urnas.

“Eleitores de direita, queridos eleitores do Likud, diante das tentativas de minar a integridade das eleições, devemos sair e votar em massa, votar no Likud pelo bem do nosso país”, afirmou.

Depois de votar, Netanyahu acusou opositores árabes israelenses de tentar “roubar as eleições”, grupo que ele já vinha atacando durante a campanha. De acordo com o premiê, “três altos funcionários” de um partido de maioria árabe foram detidos no sul do país com envelopes de dinheiro.

As autoridades eleitorais confirmaram as prisões, mas minimizaram o episódio. Segundo elas, os três foram detidos perto de casa e “ainda não tinham chegado aos locais de votação”. O caso está sob investigação e é tratado como isolado.

O premiê fez a campanha apoiado em sua liderança durante a guerra e no respaldo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aliado na ofensiva contra o Irã, que disse que os dois deveriam “concluir o trabalho”.

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Eisenkot pede saída do “pior governo” da história de Israel

Principal adversário de Netanyahu na disputa, o ex-chefe militar Gadi Eisenkot pediu aos eleitores que tirem do poder o que chamou de “pior governo” da história do país. “Peço a todos os cidadãos de Israel que vão votar, que não cedam ao calor nem aos transtornos, que se mantenham fiéis à missão: substituir esta noite o pior governo desde a criação do Estado”, declarou.

Em visita a Nir Oz, kibutz no sul do país atingido em 7 de outubro, ele disse esperar ao fim do dia “um novo espírito para o Estado de Israel”, que sirva como correção para os últimos três anos e para “aquele dia terrível”.

Eisenkot foi votar acompanhado de Gadi Mozes, um dos 251 sequestrados e levados para Gaza pelo Hamas na ofensiva, que deixou 1.200 mortos.

Para o ex-chefe militar, a resposta israelense fracassou porque o Hamas continua no poder em Gaza. Segundo autoridades de saúde, a guerra no território já matou mais de 74 mil palestinos. Eisenkot promete desmantelar ou destruir a estrutura militar e de governo do grupo em até 18 meses após assumir.

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Homem com faca é preso perto de líder da esquerda

A polícia prendeu um homem armado com uma faca que se aproximou de forma ameaçadora de Yair Golan, líder do principal partido de esquerda de Israel, enquanto ele mobilizava eleitores em Tel Aviv, informou a legenda.

“A incitação e a violência não vão nos intimidar”, disse Golan em comunicado. Ele responsabilizou pelo episódio a “máquina de veneno” de Netanyahu, que atacou duramente a esquerda ao longo da campanha.

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Como está a disputa

Desde os ataques de 7 de outubro, Israel se envolveu em guerras em Gaza, no Líbano e no Irã. Para boa parte da oposição, o centro da disputa é a responsabilização pelas falhas de segurança daquele dia. Os grupos opositores prometem abrir uma investigação nacional sobre o ataque, proposta à qual o governo Netanyahu resiste.

Há 19 anos no poder, Netanyahu é o premiê que mais tempo ocupou o cargo em Israel. Ele se apresenta como o único líder com coragem para enfrentar os inimigos do país, mas as políticas de sua coalizão de direita dividiram a sociedade e ampliaram o isolamento internacional de Israel.

Eisenkot, defensor de uma linha-dura na segurança, tenta derrubar o premiê com apoio de partidos de direita e de centro e do que sobrou de uma esquerda cada vez mais enfraquecida. As pesquisas apontam uma corrida equilibrada, sem caminho fácil para nenhum dos dois.

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O sistema político fragmentado torna difícil para a oposição desmontar a coalizão governista, formada por partidos de direita, extrema direita e ultraortodoxos. Se nenhum dos candidatos conseguir formar uma coalizão de governo no Parlamento, que tem 120 cadeiras, Netanyahu pode seguir como premiê interino até uma nova eleição.

Desde 2009, os opositores só conseguiram tirá-lo do cargo uma vez, e para isso foram necessárias quatro eleições sem resultado conclusivo em dois anos. Ele voltou ao poder 18 meses depois.

*Com informações da Reuters e da AFP

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