Um grupo que representa quase todas as principais montadoras pediu nesta segunda-feira (2) que o Congresso dos Estados Unidos aprove uma proibição permanente de veículos chineses. Segundo a entidade, os parlamentares devem votar a medida na próxima semana, quando voltam para uma sessão curta depois das eleições de meio de mandato.
“Precisamos proteger o mercado dos EUA de uma enxurrada de importações chinesas que trazem riscos de vigilância e prejudicam os fabricantes atuais”, disse John Bozzella.
Ele preside a Aliança para a Inovação Automotiva, que representa a General Motors, a Toyota, a Volkswagen e outras grandes montadoras.
Projeto no Congresso
O projeto de lei tem apoio de senadores democratas e republicanos. Em julho, uma comissão do Senado aprovou o texto, e uma versão na Câmara já tem mais de 100 coautores. Em setembro, no entanto, os autores da proposta no Senado concordaram em adiar para novembro a tentativa de acelerar a votação, apesar do amplo apoio.
Agora, as montadoras e assessores do Congresso esperam aprovar o projeto ainda neste ano. Ainda assim, alguns assessores e lobistas do setor acreditam que, se os democratas conquistarem o controle do Congresso, talvez não haja tempo para votar a proibição antes do fim da sessão, em dezembro.
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Avanço na Europa
Para defender a proibição, Bozzella citou o crescimento das montadoras chinesas no mercado europeu. Segundo ele, nos primeiros oito meses de 2026, a União Europeia importou mais de 1,1 milhão de veículos da China, mais do que em todo o ano de 2025.
“Dado o risco óbvio à segurança nacional e o padrão de comportamento desleal da China, o Congresso deve proteger nossa base de defesa e de manufatura avançada e impedir que as montadoras chinesas façam aqui o que têm conseguido fazer impunemente na Europa”, afirmou.
Regras atuais
Hoje, os carros chineses já enfrentam fortes restrições nos EUA. No início de 2025, uma regra do governo do ex-presidente Joe Biden proibiu, na prática, que montadoras chinesas vendessem ou fabricassem carros de passeio no país. O argumento era de que os veículos poderiam enviar dados confidenciais dos motoristas para a China. Além disso, os EUA cobram tarifas de mais de 100% sobre carros elétricos chineses.
Por outro lado, em setembro, o presidente Donald Trump disse à Fox News que aceitaria que montadoras chinesas fabricassem carros nos EUA, o que preocupou as fabricantes do país.
O Ministério das Relações Exteriores da China, por sua vez, já havia pedido que os Estados Unidos “respeitem as leis da economia de mercado e os princípios da concorrência leal”. Na ocasião, a pasta chamou propostas anteriores contra empresas chinesas de “repressão irracional”.
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