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Petróleo cai mais de 7% com sinal de avanço diplomático entre EUA e Irã

Mercado reage com otimismo a possível trégua no Oriente Médio, mas analistas mantêm cautela sobre riscos de abastecimento

Imagem de satélite em cor real do Estreito de Ormuz, mostrando a costa árida do Irã ao norte, a Península de Musandã e a costa dos Emirados Árabes Unidos ao sul, com as águas escuras do golfo separando as duas margens.
Antes da guerra no Irã, Estreito de Ormuz respondia por cerca de 20% do fornecimento mundial de petróleo e gás natural liquefeito (Crédito: Reprodução/NASA)

Os preços do petróleo chegaram a cair mais de 7% nesta segunda-feira (2), à medida que as negociações entre autoridades iranianas e do Catar alimentaram esperanças de um fim à guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e de uma estabilização do abastecimento de petróleo no Oriente Médio.

O presidente do Irã afirmou que o líder supremo concedeu ao governo “certas atribuições” em relação às negociações de paz. Os negociadores do país mantiveram dias de conversações com mediadores do Catar com o objetivo de pôr fim à guerra. Um rascunho de proposta está circulando, com a possibilidade de uma reunião de acompanhamento, disse uma autoridade a par das negociações.

Os futuros do petróleo Brent caíam US$9,25, ou 8,15%, para US$104,18 o barril por volta de 15:05 (horário de Brasília). O petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos EUA registrava queda de US$8,08, ou 7,76%, para US$96,04.

O presidente iraniano Masoud Pezeshkian afirmou que o líder supremo, o aiatolá Mojtaba Khamenei, havia concedido ao governo certas atribuições para as negociações de paz.

Pezeshkian acrescentou que Teerã “tentará resolver o problema por meio do diálogo”, sem dar mais detalhes, segundo a mídia estatal.

Sinais de progresso nas negociações entre os EUA e o Irã pressionaram os preços do petróleo para baixo, disse o analista da Raymond James, Pavel Molchanov, observando, no entanto, que o ceticismo é justificado após muitas “falsas esperanças” nos últimos meses.

O Brent encerrou outubro em seu nível mais alto em seis meses, em meio a preocupações de que o conflito entre os EUA e o Irã pudesse se intensificar novamente após as eleições de meio de mandato nos EUA na terça-feira.

As negociações ocorrem após um recente aumento nos ataques a petroleiros que transitam pelo Estreito de Ormuz, embora também haja sinais de aumento nos embarques de alguns dos principais exportadores.

As exportações de petróleo da Arábia Saudita aumentaram em outubro em relação a setembro, segundo duas das três empresas de rastreamento de navios, apesar dos ataques dos houthis iemenitas, alinhados ao Irã, à sua infraestrutura energética.

O início da guerra envolvendo o Irã, no final de fevereiro, esgotou os estoques de petróleo. O mundo consumiu quase 1 bilhão de barris de petróleo dos estoques desde que a guerra interrompeu o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, afirmou o presidente-executivo da ADNOC, empresa estatal de petróleo de Abu Dhabi.

O petróleo ainda pode subir mais, afirmam alguns analistas. O Goldman Sachs elevou suas previsões para o preço do petróleo no domingo devido aos elevados riscos de abastecimento e afirmou que o Brent poderia saltar para US$140 em 2027 se a produção de petróleo do Golfo permanecer 3,5 milhões de barris por dia abaixo de sua média de 2025.

“O aumento dos ataques a navios, os danos à infraestrutura petrolífera e um prêmio de risco mais persistente continuam sendo os principais fatores que podem impulsionar uma alta”, afirmou o banco em um relatório.

Com informações da Reuters

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