Uma previsão publicada em 1960 na revista científica Science estabeleceu uma data curiosa para o suposto fim do mundo: 13 de novembro de 2026, uma sexta-feira 13, que será na próxima semana. A estimativa foi feita pelo físico Heinz von Foerster, da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, com base em projeções do crescimento da população mundial.
O estudo partia da ideia de que o número de habitantes do planeta continuaria aumentando em ritmo acelerado, até atingir um limite matemático equivalente ao infinito. Segundo os cálculos, isso aconteceria em novembro de 2026, com margem de erro de cinco anos.
A previsão, no entanto, não se confirmou. Atualmente, a população mundial é de aproximadamente 8,3 bilhões de pessoas, e o ritmo de crescimento demográfico diminuiu. Em diversos países, a preocupação dos especialistas deixou de ser a superpopulação e passou a ser a queda nas taxas de natalidade.
Por que a previsão estava errada?
Von Foerster e seus colegas utilizaram 24 estimativas da população mundial, referentes a um período de cerca de 2 mil anos, para elaborar a projeção. O físico acreditava que o crescimento populacional continuaria acelerando à medida que a humanidade avançasse em cooperação e inovação.
Entretanto, o aumento da população foi impulsionado, principalmente, pela redução da mortalidade e pelo avanço da medicina, do saneamento e da nutrição. Mais pessoas passaram a sobreviver após o nascimento, enquanto as famílias começaram a ter menos filhos.
Segundo o pesquisador Joel Cohen, ouvido pela revista Popular Science, o pico histórico do crescimento populacional ocorreu no início da década de 1960. Portanto, a tendência observada por von Foerster mudou pouco depois da publicação do estudo.
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Atualmente, cerca de 55% dos países do mundo, que concentram mais de dois terços da população global, têm taxas de fertilidade abaixo do nível de reposição. Esse indicador corresponde a aproximadamente 2,1 filhos por mulher e representa a quantidade necessária para manter a população estável entre gerações, sem considerar a migração. No Brasil, dados do IBGE divulgados em 2025 apontaram que o número de nascimentos caiu 5,8% em 2024 na comparação com o ano anterior. Foram registrados 2.442.726 nascimentos em cartórios.
A tendência de redução da natalidade preocupa especialistas pelos possíveis efeitos sobre o envelhecimento da população, a oferta de trabalhadores e o financiamento de programas sociais. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) também projeta mudanças na composição demográfica das principais economias mundiais nas próximas décadas.
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