Nesta terça-feira (3), o Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) anunciou uma série de prisões de estrangeiros acusados de votar ilegalmente em eleições no país. As publicações, feitas no X ao longo do dia, coincidiram com a votação das eleições de meio de mandato.
Em uma das mensagens, que até o fim da tarde tinha 2,9 milhões de visualizações, a agência chegou a fazer uma ameaça direta.
“Se você votar ilegalmente, nós vamos encontrá-lo. Vamos rastreá-lo, prendê-lo e processá-lo. Não haverá escapatória”, escreveu o ICE.
Ao todo, o ICE afirmou ter prendido pelo menos 18 pessoas. Segundo a agência, porém, a maioria teria votado em eleições anteriores, e não na votação desta terça. Além disso, de acordo com o ICE, entre os presos estão imigrantes sem documentos com antecedentes criminais por agressão, furto e fuga da polícia.
Interpretações dissonantes
A publicação do ICE, no entanto, gerou críticas. Em análise divulgada nesta terça, o Center for an Informed Public (CIP), da Universidade de Washington, classificou a mensagem da agência como ameaçadora. O centro também lembrou que é ilegal o governo federal mobilizar agentes para intimidar eleitores nos locais de votação.
Na prática, a lei federal dos Estados Unidos considera crime posicionar tropas ou agentes armados em locais de votação. Nesse sentido, o Departamento de Justiça afirmou na semana passada, em uma declaração apresentada à Justiça, que nenhum funcionário do FBI ou do ICE estará entre os cerca de mil observadores que o órgão vai enviar para fiscalizar o cumprimento das leis federais de direito ao voto. O documento foi uma resposta a uma ação da Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor (NAACP), que alerta para o risco de intimidação de eleitores.
Em outro caso, segundo a Folha de S.Paulo, o Departamento de Justiça tentou impedir a contagem de 20 mil votos enviados pelo correio na Califórnia, sob o argumento de que poderiam ter sido enviados por imigrantes sem cidadania americana. A lista, produzida pelo Departamento de Segurança Interna, que controla o ICE, tinha erros: mais de 40% das pessoas citadas não eram eleitores registrados no estado, e outras eram cidadãos naturalizados. Por fim, o governo perdeu em todas as instâncias, inclusive na Suprema Corte, nesta segunda-feira (2).
Quais foram as prisões?
Entre os casos anunciados pelo ICE, está o de um cidadão filipino preso em Tulsa, no estado de Oklahoma, por suposta fraude eleitoral federal. Segundo a agência, ele se registrou para votar em 2022, afirmando falsamente sob juramento que era cidadão americano, e votou nas eleições daquele ano.
Já em Nova Jersey, a agência prendeu o italiano Andrea Morzetta, acusado de votar ilegalmente em quatro eleições federais.
“Voto ilegal NÃO é um erro de preenchimento de formulário quando alguém, consciente e deliberadamente, vota em um estado onde está proibido de votar”, afirmou o ICE na publicação.
Na mesma mensagem, a agência acrescentou que “o governo Trump está comprometido em proteger a integridade dessas eleições”.
Na Filadélfia, por sua vez, o ICE anunciou duas prisões. Segundo a agência, um cidadão finlandês teria se registrado e votado nas eleições gerais de 2024. Além disso, o ICE prendeu um canadense sob quatro acusações de voto ilegal: ele teria se registrado em 2020 e votado nas primárias e nas eleições gerais de 2022, 2024 e 2026.
Democratas são favoritos
As prisões ocorrem no dia de uma eleição em que os democratas são favoritos para assumir o controle do Congresso. Segundo o modelo de previsão do analista político Nate Silver, o partido tem 82% de chance de conquistar o Senado e 96% de chance de ficar com a maioria na Câmara dos Representantes. Atualmente, as duas Casas são controladas pelos republicanos, partido do presidente Donald Trump.
Na última semana, o favoritismo democrata cresceu principalmente na disputa pelo Senado. Em 26 de outubro, por exemplo, a chance de vitória do partido era de 75%, e a de conquistar a Câmara, de 95%. Ainda assim, o resultado continua incerto, sobretudo no Senado, onde várias disputas estão apertadas.
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