Nesta terça-feira (3), os norte-americanos foram às urnas nas eleições de meio de mandato, consideradas essenciais para o segundo mandato do presidente Donald Trump. De acordo com pesquisas e analistas independentes, os democratas são apontados como favoritos para tirar dos republicanos o controle da Câmara dos Representantes, enquanto a disputa pelo Senado segue indefinida.
A disputa pelo Senado se desenrola em quase 10 disputas acirradas em todo o país, a maioria em redutos republicanos.
O histórico está contra os republicanos de Trump: o partido do presidente perdeu terreno no Congresso em todas as eleições de meio de mandato desde a Segunda Guerra Mundial, com exceção de duas. O índice de aprovação de Trump oscila perto de seus níveis mais baixos de todos os tempos, prejudicado pela profunda frustração dos eleitores com a guerra contra o Irã e o consequente aumento nos preços dos combustíveis.
Não há dúvida de que a eleição deste ano gira em torno de Trump, que está há quase dois anos em seu segundo mandato. O próprio Trump disse repetidamente a apoiadores para “fingirem que eu estou na cédula”, mensagem ecoada pelos líderes democratas com prazer.
Trump destacou, em uma entrevista na televisão na manhã desta terça-feira, o que apresentou como suas conquistas e declarou otimismo em relação a seus correligionários.
Em declarações que pareciam ter como objetivo influenciar eleitores insatisfeitos com o apoio dos EUA a Israel, Trump anunciou a intenção de suspender o financiamento anual prometido de US$3,8 bilhões a Israel após o final deste ano, mas não ficou claro como ele faria isso, já que uma lei de 2020 determina os níveis de financiamento.
A estreita aliança entre os EUA e Israel tem sido um foco especial em Michigan, onde o democrata progressista Abdul El-Sayed conduz uma campanha para o Senado que é acompanhada de perto.
O presidente tem buscado mobilizar sua base com mais de duas dúzias de comícios de campanha desde o início de outubro, a maioria em Estados onde venceu com facilidade em 2024. Ele também ofereceu um incentivo inédito: a proposta de um cheque de US$5.000 para cada adulto norte-americano caso os republicanos mantenham o controle do Congresso, que teria de aprovar esse pagamento.
Liderados por Trump, os republicanos têm retratado os candidatos democratas como radicais, antiamericanos e até mesmo comunistas.
Mas as pesquisas de opinião mostram que os eleitores estão mais preocupados com o custo de vida e desaprovam a forma como Trump tem lidado com essa questão. Suas amplas tarifas sobre importações, muitas delas consideradas ilegais pela Justiça, e sua decisão de atacar o Irã em fevereiro elevaram os preços para os consumidores. Enquanto isso, candidatos republicanos têm tido dificuldades para se distanciar de um presidente que exige lealdade e raramente admite erros.
Em um centro de votação em um bairro predominantemente negro no noroeste de Detroit, Natalia Towns, de 34 anos, disse não considerar sinceros os esforços de Mike Rogers, candidato republicano ao Senado, para conquistar os eleitores negros, e sentia que El-Sayed deve fazer mais para reduzir os custos.
“Eu realmente sinto que a saúde é importante, os preços da gasolina estão altos, os alimentos estão muito caros”, disse.
Observadores de Trump
Observadores jurídicos e democratas alertaram que Trump, que há muito tempo alega falsamente que as eleições nos EUA são fraudadas, pode tentar contestar os resultados desta terça-feira caso os republicanos percam.
O Departamento de Justiça (DOJ) dos EUA informou nesta terça-feira que estava mobilizando 1.000 monitores e observadores eleitorais para todos os 50 Estados, no que chamou de a maior iniciativa de monitoramento do dia da eleição da história.
Os democratas criticaram o plano, considerando-o uma potencial forma de intimidação aos eleitores. Em cerca de dois terços das jurisdições listadas pelo departamento, os eleitores apoiaram a democrata Kamala Harris em vez de Trump na eleição presidencial de 2024, segundo uma análise da Reuters.
Todas as 435 cadeiras da Câmara dos Deputados dos EUA estão em jogo, juntamente com 35 das 100 cadeiras do Senado, embora a maioria das disputas não seja considerada acirrada.
Os democratas têm pouca margem para erros. O partido precisa defender todas as suas cadeiras atuais e, ao mesmo tempo, conquistar pelo menos dois Estados que votaram em Trump por uma margem de dois dígitos há dois anos: Alasca, Iowa, Kansas, Nebraska, Ohio, Carolina do Sul e Texas.
As pesquisas de opinião mostram que os democratas estão com uma vantagem estreita ou a uma distância mínima nesses estados.
(Com informações da Reuters)
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