A França se prepara para uma série de greves e manifestações nesta quinta-feira (5), com previsão de até 700 mil pessoas nas ruas. Convocados por sindicatos de diferentes categorias, os protestos se somam à mobilização de estudantes que há semanas reivindicam melhores condições de ensino no país.
Segundo as autoridades francesas, entre 500 mil e 700 mil manifestantes devem participar dos atos em todo o território nacional. Em Paris, a expectativa é de até 80 mil pessoas em uma marcha marcada para as 14h, no horário local.
Os sindicatos esperam uma mobilização semelhante à registrada durante os protestos contra a reforma da Previdência, em 2023, quando mais de um milhão de pessoas foram às ruas.
A paralisação envolve professores das redes pública e privada, trabalhadores ferroviários, funcionários de hospitais públicos e dos serviços postais.
Por que a França está enfrentando protestos?
As manifestações começaram com estudantes do ensino médio insatisfeitos com as condições de aprendizagem e ganharam força em meio à crescente preocupação da população com o custo de vida e a desigualdade.
Os sindicatos reivindicam aumento do salário mínimo, reajustes salariais generalizados, reformas tributárias e melhorias nas condições de ensino.
“Deveríamos conseguir viver dignamente do nosso trabalho”, afirmou Marylise Léon, secretária-geral do sindicato CFDT, em entrevista ao canal BFM.
A mobilização ocorre em um momento delicado para a economia francesa, que enfrenta dificuldades para equilibrar as contas públicas. O cenário também é politicamente sensível: faltam seis meses para as eleições que definirão o sucessor do presidente Emmanuel Macron, enquanto a extrema direita lidera as pesquisas de intenção de voto.
Governo mobiliza 70 mil agentes de segurança
Diante da expectativa de grandes manifestações, o ministro do Interior, Laurent Nuñez, anunciou a mobilização de 70 mil policiais e agentes de segurança em todo o país.
O ministro prometeu uma “resposta extremamente firme” a eventuais episódios de violência e desordem.
A preocupação das autoridades aumentou após os confrontos de 17 de outubro, considerados os mais graves registrados na França em anos. Na ocasião, houve saques, vandalismo e confrontos entre manifestantes e policiais.
Embora a maior parte dos protestos tenha ocorrido de forma pacífica, alguns atos terminaram em confrontos, com uso de gás lacrimogêneo e canhões de água pelas forças de segurança.
Uma investigação por tentativa de homicídio também foi aberta após coquetéis molotov serem lançados contra agentes de segurança na capital francesa.
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