O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou nesta quinta-feira (5) em meio à pressão do Congresso paraguaio. A renúncia ocorreu no dia em que a Câmara dos Deputados analisaria um pedido de impeachment contra ele, apresentado pela oposição por causa da crise do Ueno Bank, um dos maiores bancos do país.
Na terça-feira (3), o Banco Central do Paraguai interveio no banco por falta de capital. Com isso, os serviços da instituição foram suspensos, e os depósitos de cerca de 3 milhões de clientes ficaram congelados. O Ueno Bank tem contas de quase metade dos 6,4 milhões de habitantes do país.
Na quarta-feira (4), Peña sancionou uma lei, aprovada às pressas pelo Congresso, para antecipar a liberação de parte do dinheiro aos clientes afetados. Segundo o Banco Central, os correntistas vão receber inicialmente até 10 milhões de guaranis, cerca de R$ 9 mil. A previsão é de que os pagamentos ocorram em até cinco dias.
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Pedido de impeachment
O pedido acusava Peña de “mau desempenho de suas funções no exercício do cargo”. Entre os pontos levantados, estavam um suposto conflito de interesses e questionamentos sobre o crescimento do patrimônio do presidente. Peña assumiu a Presidência em 2023, para um mandato até 2028, e tinha ações de um grupo que controlava o Ueno Bank. Ele deixou essa participação em 2025.
A oposição também acusa o governo de ter tomado “decisões regulatórias supostamente favoráveis ao Ueno Bank” e questiona a concentração de recursos da Previdência na instituição. Além disso, o pedido também atinge o vice-presidente, Pedro Alliana.
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Protestos e prisões
Na noite de quarta-feira (4), centenas de pessoas protestaram em Assunção, a capital, para cobrar a devolução do dinheiro e o julgamento político do presidente. No mesmo dia, clientes formaram longas filas em frente às agências do Ueno Bank para tentar sacar o dinheiro.
“É o dinheiro da nossa aposentadoria, que agora não sabemos se vamos receber”, disse à AFP a médica Teresa Montiel. Já Marcelino Vergara, de 68 anos, afirmou: “Perdi todas as economias da minha vida, só tenho 8 mil guaranis. Todos têm que ser presos”.
Ainda na terça-feira, o Banco Central denunciou o Ueno Bank, e oito diretores do banco foram presos, entre eles o presidente da instituição, Miguel Vázquez. A crise também levou à renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo.
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