A acusação de racismo religioso contra a cantora Cláudia Leitte será discutida em uma audiência pública do Ministério Público da Bahia (MPBA) hoje à tarde. O encontro reunirá pelo menos dez entidades da sociedade civil para debater formas de proteger os símbolos das religiões de matriz africana. A polêmica surgiu em dezembro, quando Leitte, ao […]
A acusação de racismo religioso contra a cantora Cláudia Leitte será discutida em uma audiência pública do Ministério Público da Bahia (MPBA) hoje à tarde. O encontro reunirá pelo menos dez entidades da sociedade civil para debater formas de proteger os símbolos das religiões de matriz africana. A polêmica surgiu em dezembro, quando Leitte, ao alterar a letra da música “Caranguejo”, substituiu a menção à orixá Iemanjá por Yeshua, referência a Jesus Cristo.
Durante a audiência, será analisada a possibilidade de reparações para os fiéis das religiões afro-brasileiras, caso se prove que houve dano. Entre as reivindicações, está uma indenização de R$ 10 milhões a ser paga pela artista para apoiar campanhas contra o racismo religioso. Além disso, as entidades pedem que ela não cante mais “Caranguejo” ou, se o fizer, mantenha a letra original. Existe também a possibilidade de que o inquérito civil em andamento se torne um caso criminal, dependendo da decisão da promotoria.
O advogado Hédio Silva Júnior, coordenador do Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras (Idafro), sugeriu que Cláudia Leitte passe a cantar músicas gospel, afirmando que isso seria mais coerente com sua religião. Ele enfatizou que a alteração da letra da música causou danos à honra e dignidade das religiões afro-brasileiras. Silva Júnior também anunciou que o Idafro pedirá à Justiça a condenação da cantora ao pagamento da indenização, ressaltando que uma retratação verbal não seria suficiente.
A promotora responsável pelo inquérito já decidiu ouvir os compositores da música, que também estão movendo uma ação contra Leitte por violação de direitos autorais. Silva Júnior acredita que o inquérito civil deve ser concluído em até 60 dias, e que há elementos suficientes para que a promotoria proponha uma ação criminal em paralelo à ação cível.
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