O impasse entre o Exército e o Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan) sobre o tombamento do local onde funcionou o Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (Doi-Codi), na Tijuca, Rio de Janeiro, persiste. O local, atualmente ocupado pelo 1º Batalhão de Polícia das Forças Armadas, é alvo de […]
O impasse entre o Exército e o Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan) sobre o tombamento do local onde funcionou o Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (Doi-Codi), na Tijuca, Rio de Janeiro, persiste. O local, atualmente ocupado pelo 1º Batalhão de Polícia das Forças Armadas, é alvo de um processo que tramita há mais de dez anos, sem avanços significativos. O Ministério Público Federal (MPF) solicitou agilidade no processo, especialmente após a repercussão do filme “Ainda estou aqui”, que aborda a história da família de Eunice Paiva e o assassinato do deputado Rubens Paiva durante a ditadura militar.
O Iphan considera o tombamento uma prioridade, mas enfrenta resistência do Exército, que não concedeu autorização para uma visita técnica necessária à continuidade da análise. O Instituto informou que essa etapa é essencial para qualquer tipo de tombamento. O procurador da República, Jaime Mitropoulos, enfatizou a importância de criar espaços de memória para enfrentar o silêncio sobre o período da transição democrática, promovendo o direito à memória, verdade e justiça.
O DOI-Codi, ativo entre 1969 e 1979, é lembrado como um local de tortura e violência, simbolizando a repressão durante a ditadura. O prédio possui proteção federal, que se mantém enquanto o processo de tombamento está em andamento. O Exército, por sua vez, alegou que não foi oficialmente comunicado sobre o pedido de visita técnica e que cumpre uma decisão judicial que extinguiu uma Ação Civil Pública relacionada ao tombamento.
Recentemente, em memória de Rubens Paiva e de outros desaparecidos, manifestantes se reuniram na Praça Lamartine Babo para reivindicar o tombamento do local e a criação de um centro de memória. A praça abriga um busto em homenagem a Paiva, erguido há dez anos pelo Sindicato dos Engenheiros do Estado do Rio e pela Comissão Estadual da Verdade, reforçando a luta pela memória e justiça em relação aos crimes da ditadura.
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