Uma organização criminosa especializada em fraudes eletrônicas foi desarticulada nesta quinta-feira, 30 de janeiro de 2024, pela Polícia Civil do Distrito Federal. O grupo, que contava com cerca de 200 integrantes, enganou pelo menos 50 mil pessoas no Brasil e no exterior, explorando a fé religiosa para convencer as vítimas a investirem em falsas transações […]
Uma organização criminosa especializada em fraudes eletrônicas foi desarticulada nesta quinta-feira, 30 de janeiro de 2024, pela Polícia Civil do Distrito Federal. O grupo, que contava com cerca de 200 integrantes, enganou pelo menos 50 mil pessoas no Brasil e no exterior, explorando a fé religiosa para convencer as vítimas a investirem em falsas transações financeiras. As investigações, parte da terceira fase da Operação ‘Falso Profeta’, resultaram na execução de 16 mandados de busca e apreensão em seis estados, além do bloqueio de contas que totalizam R$ 7,9 milhões.
O esquema operava de maneira hierarquizada, envolvendo líderes religiosos, influenciadores digitais e “laranjas”. Os golpistas manipulavam a crença religiosa, prometendo riquezas milagrosas e alegando que as vítimas haviam sido escolhidas por Deus para receber uma “bênção financeira”. As promessas incluíam transformações absurdas de investimentos, como transformar R$ 25 em 1 octilhão de reais. O economista Newton Marques alertou que tais valores são irreais e que os criminosos utilizam esse discurso para atrair vítimas.
As vítimas eram abordadas em cultos, redes sociais e aplicativos de mensagens, sendo convencidas a investir suas economias em operações financeiras fraudulentas. Muitos acabaram vendendo bens e acumulando dívidas, resultando em danos financeiros e psicológicos severos. As investigações começaram no final de 2022, após a prisão de um influenciador que tentava enganar uma vítima com um extrato bancário falso de R$ 17 bilhões. A movimentação financeira do esquema, que atuava desde 2019, foi estimada em R$ 160 milhões.
Os suspeitos enfrentam acusações de organização criminosa, estelionato e lavagem de dinheiro. O delegado Marco Aurélio Sepúlveda destacou que muitas vítimas ainda não denunciaram o golpe por vergonha. Ele enfatizou a importância de buscar a Justiça para reaver valores perdidos e alertou a população sobre a desconfiança em promessas de dinheiro fácil. O economista Newton Marques também recomendou cautela em propostas de ganhos extraordinários, ressaltando que não existem aplicações financeiras que garantam retornos exorbitantes.
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