Pesquisadores de genômica antiga identificaram as origens de uma tribo nômade que influenciou a cultura e a genética da Europa e da Ásia, sugerindo uma possível fonte para a família de línguas indo-europeias, falada por grande parte da população mundial. Os genomas de mais de 400 indivíduos indicam que os Yamnaya, pastores da Idade do […]
Pesquisadores de genômica antiga identificaram as origens de uma tribo nômade que influenciou a cultura e a genética da Europa e da Ásia, sugerindo uma possível fonte para a família de línguas indo-europeias, falada por grande parte da população mundial. Os genomas de mais de 400 indivíduos indicam que os Yamnaya, pastores da Idade do Bronze das estepes da atual Rússia e Ucrânia, surgiram ao longo das costas do Mar Negro. Os resultados foram publicados em 5 de fevereiro na revista Nature.
Kristian Kristiansen, arqueólogo da Universidade de Gotemburgo, considera as descobertas “verdadeiramente revolucionárias”, pois abordam duas questões importantes: a origem dos Yamnaya e a relação entre línguas como o grego clássico, o latim e o sânscrito, que sugerem uma origem comum. Quase metade da população mundial fala pelo menos uma das cerca de 400 línguas indo-europeias, abrangendo a maioria das línguas da Europa e da Ásia Central, além de idiomas do Sul da Ásia e do Irã.
A teoria predominante sobre a disseminação das línguas indo-europeias era a hipótese anatólica, que sugeria que agricultores da Anatólia, atual Turquia, exportaram essas línguas durante a revolução agrícola há cerca de 9.000 anos. No entanto, essa teoria foi contestada em 2015, quando estudos de genômica antiga mostraram a migração dos pastores Yamnaya pela Eurásia, iniciando há 5.500 anos. Essa evidência apoiou a hipótese das estepes, que atribui aos Yamnaya a responsabilidade pela difusão das línguas indo-europeias.
Apesar das evidências genéticas, a hipótese das estepes enfrentava um desafio em explicar a ramificação anatólica das línguas indo-europeias, que inclui o turco moderno e o hitita. Os geneticistas não encontraram ancestralidade Yamnaya em falantes antigos da Anatólia. Para resolver essa questão, a equipe de David Reich, geneticista populacional de Harvard, analisou dados genômicos de 428 indivíduos antigos, incluindo Yamnaya e outros que viveram antes deles. A pesquisa revelou uma assinatura genética que conecta os Yamnaya e os antigos anatolianos, sugerindo que as primeiras línguas indo-europeias foram faladas por pessoas da região entre os montes Cáucasos e o rio Volga inferior, que depois se espalharam para a Anatólia e para as estepes do Mar Negro.
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