O escritor franco-argelino Kamel Daoud, vencedor do prêmio Goncourt em 2023 por seu romance “Houris”, enfrenta um processo judicial em Paris. A ação foi movida por Saada Arbane, que alega que sua história de vida foi utilizada sem consentimento na obra de Daoud. A primeira audiência está marcada para 7 de maio e a intimação […]
O escritor franco-argelino Kamel Daoud, vencedor do prêmio Goncourt em 2023 por seu romance “Houris”, enfrenta um processo judicial em Paris. A ação foi movida por Saada Arbane, que alega que sua história de vida foi utilizada sem consentimento na obra de Daoud. A primeira audiência está marcada para 7 de maio e a intimação foi entregue ao autor durante um evento em Bordeaux. A editora Gallimard não comentou sobre o caso.
O romance “Houris” aborda a guerra civil na Argélia, focando na vida de uma jovem que perde a voz após ser atacada por um islamista. Arbane, que sobreviveu a uma tentativa de homicídio em 2000, afirma que a protagonista é inspirada em sua própria experiência. Ela busca uma indenização de 200 mil euros (aproximadamente R$ 1,2 milhão) e argumenta que a semelhança não pode ser mera coincidência.
Em declarações à mídia, Arbane destacou que nunca consentiu que sua história fosse utilizada por Daoud, apesar de ter compartilhado detalhes com a esposa do autor durante sessões de terapia. Os advogados de Arbane consideram o caso “absolutamente excepcional” no contexto de invasão de privacidade disfarçada de ficção. Daoud, por sua vez, nega que seu trabalho tenha sido baseado na vida de Arbane.
O caso já gerou repercussão na Argélia, onde duas queixas foram apresentadas contra Daoud e sua esposa. A situação levanta questões sobre a linha entre a ficção e a privacidade, especialmente em narrativas que abordam experiências traumáticas.
Entre na conversa da comunidade