Católicos e evangélicos estão se unindo para lutar contra pautas progressistas, como a descriminalização do aborto e o casamento LGBTQIA+. A pesquisadora Ana Carolina Marsicano, que estuda essa aliança, publicou uma tese sobre a atuação política desses grupos durante o governo Bolsonaro. Ela explica que, apesar das diferenças religiosas, eles se juntaram para barrar o avanço de agendas progressistas. No governo, figuras como Damares Alves, do setor evangélico, e Angela Gandra, do catolicismo, trabalharam juntas em políticas conservadoras. Marsicano destaca que a atuação dos católicos no conservadorismo tem crescido e que a diversidade de líderes é importante para essa estratégia. Ela também observa que muitas mudanças estão ocorrendo dentro da Igreja Católica, que não têm recebido a devida atenção. Além disso, ela analisa o papel de mulheres católicas na extrema-direita, como Angela Gandra, que tem uma influência significativa na política conservadora. Gandra, que tem um papel estratégico, se destacou por sua atuação em várias frentes, buscando apoio em diferentes esferas políticas.
A pesquisadora Ana Carolina Marsicano publicou uma tese que analisa a aliança estratégica entre católicos e evangélicos para combater pautas progressistas no Brasil, como a descriminalização do aborto e o casamento LGBTQIA+. O trabalho, intitulado “Os leigos cristianizam o mundo — católicos e política antigênero no governo federal (2019-2022)”, destaca a atuação de figuras como Angela Gandra, que tem influenciado o conservadorismo.
Marsicano, doutora em sociologia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), observa que, apesar das diferenças teológicas, esses grupos religiosos se uniram para barrar o avanço de agendas progressistas. Durante o governo de Jair Bolsonaro, a então ministra da Família, Damares Alves, representava os evangélicos, enquanto Gandra, sua número dois, representava os católicos. “É uma aliança por um bem maior, que é impedir que a agenda pró-aborto e do casamento igualitário avance”, afirma a pesquisadora.
Neoconservadorismo e a Política de Gênero
A tese de Marsicano analisa como a política de gênero se manifesta nos âmbitos legislativo, executivo e jurídico do país. Ela argumenta que o avanço de pautas progressistas levou católicos e evangélicos a se articularem. “A atuação dos representantes das igrejas católica e evangélica é diferente, e a pluralidade de figuras no conservadorismo é estratégica”, explica.
A pesquisadora destaca a importância de figuras como Chris Tonietto, deputada federal, e Angela Gandra, que atuam em diferentes frentes. Enquanto Tonietto é mais visível, Gandra tem um papel mais discreto, mas igualmente influente. “A ala conservadora da Igreja Católica tem se renovado e se fortalecido”, conclui Marsicano.
O Papel de Angela Gandra
Angela Gandra, filha do jurista Ives Gandra, é considerada uma “figura-chave no conservadorismo, no cristianismo e no catolicismo”. Sua influência se estende a uma agenda internacional, onde se articula com organizações e ativistas. Marsicano observa que a composição da Secretaria Nacional da Família era majoritariamente católica, o que reforça a importância de Gandra na política conservadora.
A pesquisa revela que, enquanto a atenção se concentra em figuras como Damares Alves, muitas ações ocorrem nos bastidores. A parceria entre Damares e Gandra foi fundamental para o avanço de políticas conservadoras durante o governo Bolsonaro. “A relação entre política e religião no Brasil é histórica e tem se intensificado”, conclui a pesquisadora.
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