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Música country se torna palco de disputas políticas com Beyoncé e drag queens

Beyoncé conquista o Grammy de melhor disco country com "Cowboy Carter" e provoca debates sobre inclusão no gênero.

A cantora Beyoncé em ensaio de 'Cowboy Carter', seu oitavo álbum (Foto: Blair Caldwell/Divulgação)
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  • Beyoncé lançou o álbum “Cowboy Carter”, desafiando as normas do gênero country.
  • O álbum conquistou o Grammy de melhor disco de country, tornando Beyoncé a primeira artista negra a receber este prêmio em quase 60 anos.
  • A capa do álbum apresenta a cantora em um cavalo, segurando a bandeira dos Estados Unidos.
  • Durante a turnê, Beyoncé promove a inclusão de artistas não brancos e LGBTQIA+, rompendo a associação do country com o conservadorismo.
  • A polêmica gerou mudanças no Grammy, que premiará discos de country em duas categorias a partir do próximo ano.

Beyoncé lançou seu novo álbum, “Cowboy Carter”, desafiando as normas do gênero country e conquistando o Grammy de melhor disco da categoria, tornando-se a primeira artista negra a receber este prêmio em quase 60 anos. A capa do álbum apresenta a cantora montada em um cavalo, segurando a bandeira dos Estados Unidos, enquanto a faixa de abertura, “Ameriican Requiem”, questiona sua autenticidade no gênero.

Durante a turnê do álbum, Beyoncé busca romper a associação entre a música country e o conservadorismo, unindo-se a artistas jovens, muitos deles não brancos e LGBTQIA+. A vitória no Grammy gerou polêmica, com críticos como Gavin Adcock, que afirmou que a música de Beyoncé não é country. Em contrapartida, ícones do gênero, como Dolly Parton e Willie Nelson, apoiaram a artista, destacando a necessidade de inclusão.

Mudanças na Indústria

A controvérsia em torno de “Cowboy Carter” levou a mudanças no Grammy, que a partir do próximo ano premiará dois discos de country: um contemporâneo e outro tradicional. Essa decisão é vista como uma tentativa de mitigar a repercussão da vitória de Beyoncé, especialmente após o caso de Lil Nas X, que teve sua música “Old Town Road” removida da lista de country da Billboard.

O debate sobre a inclusão de artistas não brancos no country é intenso. O jornalista Kyle Coroneos observa que muitos fãs puristas acreditam que o gênero deve ser exclusivo da cultura rural americana. Entretanto, a pesquisadora Jada Watson argumenta que a mistura de estilos sempre foi comum, especialmente entre artistas brancos, sem que isso gerasse críticas.

A Reapropriação do Gênero

Beyoncé se reapropria do country, um gênero com raízes africanas, e seu álbum reflete essa conexão. O banjo, instrumento que ela toca em “Texas Hold’Em”, foi trazido para os Estados Unidos por africanos escravizados. A história do country, muitas vezes ignorada, revela que a música tem uma rica herança negra, que foi marginalizada ao longo do tempo.

Artistas como Kacey Musgraves, que já desafiaram as normas do gênero, também reconhecem que ainda há um longo caminho a percorrer. A inclusão de vozes diversas no country é um passo importante, mas a resistência de setores conservadores ainda representa um desafio significativo para a evolução do gênero.

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