- Tribunais dos EUA suspenderam, temporariamente, ações do Interior para interromper trabalhos em cinco projetos eólicos offshore na Virgínia, Nova York e Nova Inglaterra, que já representam bilhões de dólares investidos.
- Autoridades de energia de Trump emitiram, no ano passado, ordens de emergência para manter abertos cinco usinas a carvão que seriam fechadas, com reparos custosos previstos e disputas judiciais em curso.
- Especialistas e democratas dizem que as políticas pró‑fóssil de Trump elevam o custo da eletricidade e aumentam os impactos climáticos, enquanto reduzem projetos de vento e solar.
- A exportação de gás natural liquefeito (GNL) aumentou, segundo especialistas, contribuindo para o aumento das tarifas de energia nos EUA, com propostas de leis para conter as exportações.
- Dados federais apontam alta de cento e cinqüenta por cento no preço da energia correspondente ao gás natural nos primeiros nove meses de 2025, refletindo o crescimento das exportações de GNL e a política energética do governo.
O governo de Donald Trump enfrenta críticas crescentes de tribunais, acadêmicos e membros do Congresso sobre sua agenda pró-fóssil. A ênfase é no aumento da atuação do setor de combustíveis fósseis, inclusive do carvão, e na redução de incentivos a energias eólicas e solares. Ações judiciais e questionamentos acadêmicos apontam impactos no custo da eletricidade e no enfrentamento da crise climática.
Quatro juízes, incluindo um indicado por Trump, emitiram liminares temporárias contra decisões do Departamento do Interior que interromperam obras de cinco projetos de energia eólica offshore na Virgínia, Nova York e Nova Inglaterra. Os projetos estão muito avançados e representam investimentos de bilhões de dólares.
Além disso, nos últimos meses, autoridades da energia sob a gestão de Trump emitiram ordens de emergência para manter ativos de usinas a carvão em funcionamento em Washington, Michigan e mais três estados. Reparos nestas usinas devem exigir custos elevados e alguns estados contestam as ações federais.
Especialistas afirmam que as políticas favorecendo o carvão elevam os custos de energia para os consumidores. Alega-se ainda que a suspensão de projetos de vento e o retorno de plantas a carvão perigosas não se justifica sob a ótica de proteção ambiental ou de economia.
A administração tem promovido aumentos nas exportações de gás natural liquefeito LNG, o que também seria creditado por pressões na tarifa doméstica de energia. Parlamentares democratas apresentaram projetos para restringir exportações de LNG com o objetivo de reduzir as contas de luz.
Dados federais indicam que as famílias americanas arcariam com cerca de 12 bilhões de dólares a mais em gás natural entre janeiro e setembro de 2025, em comparação com o ano anterior, associado ao crescimento das exportações de LNG apoiadas pela gestão Trump.
O secretário de Energia, Chris Wright, que já foi CEO de companhias de petróleo e gás, sinalizou que o governo buscará ampliar exportações de LNG, inclusive para a União Europeia, o que envolve revisão de regras sobre metano. O tema é defendido por grupos da indústria e por aliados políticos.
Na prática, as ações do governo têm coincidido com críticas de especialistas e de alguns democratas, que destacam custos adicionais para energia e impactos ambientais, além de questionamentos legais sobre a validade de decisões que priorizam combustíveis fósseis.
Entre críticos, há ressalvas de que a expansão de fontes renováveis, como vento e solar, tem se mostrado mais rápida e econômica para aumento de capacidade. Pesquisadores também destacam que a confiabilidade da rede depende da diversidade de fontes de geração.
Em resposta, representantes do governo afirmam que as medidas são necessárias para atender à demanda por energia e evitar apagões, citando o crescimento de centros de dados e outros grandes consumos. O debate continua a envolver políticas públicas, interesses empresariais e alinhamentos políticos.
Estudos independentes apontam que, em 2025, a maior parte da nova capacidade instalada ocorreu em fontes renováveis, sugerindo que os custos de energia podem seguir sob pressão econômica caso haja reversão de investimentos nessas tecnologias.
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