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Câncer colorretal avança entre jovens e acende alerta no Brasil

Casos crescem entre pessoas com menos de 50 anos e diagnóstico tardio ainda predomina.

O câncer colorretal, historicamente associado a adultos mais velhos, avança de forma preocupante entre homens e mulheres com menos de 50 anos. Nos Estados Unidos, a doença já se tornou a neoplasia que mais mata nessa faixa etária, segundo dados recentes da Sociedade Americana do Câncer. No Brasil, a projeção é ainda mais alarmante: as […]

O câncer colorretal, historicamente associado a adultos mais velhos, avança de forma preocupante entre homens e mulheres com menos de 50 anos. Nos Estados Unidos, a doença já se tornou a neoplasia que mais mata nessa faixa etária, segundo dados recentes da Sociedade Americana do Câncer. No Brasil, a projeção é ainda mais alarmante: as mortes devem crescer 36% até 2040.

Casos de figuras públicas ajudaram a trazer visibilidade ao tema, como as mortes do ator Chadwick Boseman, aos 43 anos, e mais recentemente de James Van Der Beek, aos 48. O diagnóstico em pessoas na casa dos 20 e 30 anos, antes considerado raro, tem se tornado cada vez mais frequente.

Um estudo publicado em 2025 na revista científica The Lancet Oncology, que analisou dados de 50 países, identificou aumento da incidência do câncer colorretal de início precoce em 27 deles. Em 20 países, o crescimento ocorreu exclusivamente entre os mais jovens ou foi mais acelerado nesse grupo do que entre adultos acima dos 50 anos.

No Brasil, o câncer colorretal é o terceiro tipo mais comum, com estimativa de 45.630 novos casos por ano. Levantamento mostra que a mortalidade relacionada ao tumor de cólon e reto cresceu quase 50% nas últimas duas décadas. Estudo da Fundação do Câncer aponta que mais de 60% dos casos ainda são diagnosticados em estágios avançados.

Para o radiologista intervencionista Charles Zurstrassen, membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular, o diagnóstico tardio continua sendo um dos principais desafios.

“Entre 60% e 80% dos pacientes recebem o diagnóstico já na fase metastática, sendo o fígado o principal órgão acometido e a principal causa de mortalidade”, explica.

Tratamentos menos invasivos em fases avançadas

Segundo o especialista, mesmo em casos avançados, há alternativas terapêuticas menos invasivas que podem ampliar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. “A radiologia intervencionista oferece tratamentos locais como alternativa à cirurgia, principalmente para metástases hepáticas”, afirma Zurstrassen.

Entre as opções estão a ablação por radiofrequência ou micro ondas, indicada para lesões menores que 3 centímetros, com potencial curativo semelhante ao da cirurgia.

“O procedimento consiste na introdução de uma agulha guiada por tomografia ou ultrassom, que gera calor e destrói o tumor”, detalha.

Há ainda os procedimentos intra arteriais, como a quimioembolização e a radioembolização hepática, indicados quando a cirurgia não é mais viável. “Essas técnicas não têm intenção curativa, mas ajudam a controlar a doença por mais tempo e a aliviar sintomas”, acrescenta.

Por que os casos aumentam entre jovens

As causas do aumento do câncer colorretal em jovens ainda não estão totalmente esclarecidas. “Sabemos que a incidência cresce desde 2005 a uma taxa de 1,1% ao ano entre pessoas com menos de 50 anos”, afirma Zurstrassen. Entre as hipóteses mais estudadas estão mudanças nos hábitos alimentares, maior consumo de ultraprocessados e carnes, tabagismo, uso excessivo de álcool e sedentarismo.

O especialista destaca também o papel da atividade física. “Estudos mostram que exercícios regulares aumentam a sobrevida de pacientes em quimioterapia e reduzem o risco de recorrência após cirurgia”, diz.

Sintomas e rastreamento

Os sintomas mais comuns incluem sangramento nas fezes, alterações do hábito intestinal e perda de peso sem causa aparente. No entanto, Zurstrassen faz um alerta importante.

“Muitos casos avançados são diagnosticados mesmo na ausência de sintomas. Por isso, os exames preventivos são fundamentais”, ressalta.

As diretrizes atuais recomendam o início do rastreamento a partir dos 45 anos para a população geral. Pessoas com histórico familiar, síndromes hereditárias como a síndrome de Lynch, polipose familiar ou doença inflamatória intestinal devem iniciar a investigação mais cedo e com maior frequência.

Diagnóstico precoce salva vidas

De acordo com especialistas internacionais, quando o câncer colorretal é detectado precocemente, as taxas de sobrevivência em cinco anos podem chegar a 90%. Em fases avançadas, esse percentual pode cair para cerca de 10% a 15%.

“O diagnóstico precoce aumenta exponencialmente as chances de cura”, reforça Zurstrassen. “Além de identificar o tumor em estágios iniciais, a colonoscopia permite remover pólipos antes que eles se transformem em câncer, atuando também na prevenção da doença.”

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