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O regime dos aiatolás vai resistir? O que muda no Irã após a morte de Khamenei

Morte de Khamenei não significa o fim do regime dos aiatolás.

O religioso Alizara Arafi é o líder da transição de governo no Irã após a morte do aiatolá Khomenei. Imagem: CNN International.

A morte do líder supremo Ali Khamenei, em ataques atribuídos a Estados Unidos e Israel, abriu oficialmente a fase mais delicada da política iraniana em décadas. Neste domingo (1º), a República Islâmica anunciou a nomeação do aiatolá Alireza Arafi para integrar o conselho interino que comandará o país até a escolha de um sucessor definitivo. […]

A morte do líder supremo Ali Khamenei, em ataques atribuídos a Estados Unidos e Israel, abriu oficialmente a fase mais delicada da política iraniana em décadas. Neste domingo (1º), a República Islâmica anunciou a nomeação do aiatolá Alireza Arafi para integrar o conselho interino que comandará o país até a escolha de um sucessor definitivo. A transição ocorre enquanto o Irã amplia ataques na região, sofre novos bombardeios e tenta demonstrar que mantém o controle interno.

O conselho provisório será formado por Arafi, pelo presidente Masoud Pezeshkian e pelo chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni-Ejei. “Espécie de “triunvirato”, o grupo ficará responsável pela condução do governo até que a Assembleia de Peritos eleja o novo líder supremo, conforme previsto na Constituição.

Mas a sucessão formal é apenas parte da história. O que realmente está em jogo é se o regime conseguirá preservar sua coesão em meio a perdas militares relevantes, pressão externa e um conflito que já se espalha por vários países do Golfo.

Um regime sob múltiplas pressões

Além da morte de Khamenei, o governo confirmou a perda de figuras centrais da estrutura de segurança, como o chefe da Guarda Revolucionária e altos integrantes do Conselho de Defesa. Ao mesmo tempo, Israel afirma ter eliminado dezenas de comandantes militares, enquanto o Crescente Vermelho iraniano fala em centenas de mortos no território do país.

A resposta de Teerã tem sido imediata. Mísseis e drones foram lançados contra alvos ligados a EUA e Israel na região, com registros de interceptações e impactos no Catar, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Arábia Saudita e Omã. O Conselho de Cooperação do Golfo convocou reunião de emergência, e a tensão regional atingiu um novo patamar.

Internamente, o governo promete vingança e tenta calibrar o discurso para manter apoio popular. O risco é que o confronto externo amplifique pressões econômicas e sociais já existentes.

Quatro caminhos possíveis
Diante desse cenário, analistas observam quatro trajetórias principais para o Irã.

  • Continuidade com novo líder
    Este é o caminho institucional previsto: a Assembleia de Peritos escolhe um nome capaz de unir os centros de poder — clero, Guarda Revolucionária e aparato de segurança. O Estado perde sua figura simbólica, mas mantém a estrutura. Há ainda um cenário de fundo: o regime pode tentar “mudar de rosto” sem alterar o núcleo de poder, promovendo um perfil mais pragmático ou redistribuindo influência entre religiosos e militares. Tudo depende da coesão das forças de segurança.
  • Pressão das ruas mobilizam a queda do regime
    Grandes mobilizações só derrubam regimes quando encontram apoio dentro do Estado. Greves estratégicas, burocracias que deixam de executar ordens e forças de segurança que hesitam em reprimir são fatores decisivos. Sem isso, protestos tendem a ser contidos. A guerra pode tanto fortalecer o discurso nacionalista quanto ampliar o desgaste popular e o ritmo dos eventos será determinante.
  • O regime se fragmenta aos poucos – e passa a funcionar de modo desordenado
    Um cenário mais preocupante para analistas envolve não uma queda abrupta, mas um processo de desorganização gradual: disputas entre facções, perda de coordenação central e dificuldades fiscais. Avaliações citadas pela Reuters apontam ceticismo em Washington sobre um colapso imediato, justamente porque não há alternativa pronta e consensual. A ausência de um pacto interno claro aumenta o risco de instabilidade prolongada.
  • A alternativa do exílio
    Alguma figura atualmente exilada poderia se apresentar como opção viável para a transição. Entre elas se destaca Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã, deposto na Revolução Islâmica de 1979. Radicado nos Estados Unidos, ele se posiciona há anos como defensor de uma mudança estrutural no sistema político iraniano. Uma de suas principais propostas é um modelo secular e com consulta popular sobre o formato de governo. Em momentos de crise, seu nome reaparece como possível polo de articulação da diáspora e de setores oposicionistas.

O desafio, porém, é duplo: internamente, Pahlavi não possui controle sobre nenhuma instituição do Estado, nem influência direta sobre as forças de segurança, fator decisivo na transição.

Qualquer eventual apoio explícito de Washington ou de aliados ocidentais poderia ser explorado pelo regime como prova de ingerência estrangeira, narrativa historicamente mobilizada para reforçar coesão nacional. A própria Reuters mencionou contatos anteriores entre autoridades americanas e o príncipe no exílio, mas destacou a ausência, até o momento, de uma coalizão ampla, organizada e com legitimidade interna suficiente para assumir o comando do país em curto prazo.

O que observar agora

O sinal decisivo não virá apenas da escolha do novo líder, mas da postura da Guarda Revolucionária, da unidade do aparato de segurança e da capacidade do governo de manter pagamentos, serviços e comando centralizado.

Até o momento, as instituições continuam operando, e não há sinais públicos de deserções em massa. Mas a combinação de guerra aberta, sanções, isolamento diplomático e perda da principal figura de autoridade coloca o regime diante de seu maior teste desde 1979.

A sucessão começou. O desfecho, porém, ainda está longe de ser definido.

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