Suzane von Richthofen voltou ao centro do debate público após ter seu nome associado, nas redes sociais, a uma possível participação na próxima edição de A Fazenda. A informação circulou inicialmente no perfil Choquei, no X, e rapidamente ganhou repercussão, mas não há confirmação oficial por parte da emissora. A movimentação ocorre em um momento […]
Suzane von Richthofen voltou ao centro do debate público após ter seu nome associado, nas redes sociais, a uma possível participação na próxima edição de A Fazenda. A informação circulou inicialmente no perfil Choquei, no X, e rapidamente ganhou repercussão, mas não há confirmação oficial por parte da emissora.
A movimentação ocorre em um momento de forte expansão do gênero true crime, que tem levado histórias reais de violência para o centro da indústria do entretenimento. Suzane foi condenada pelo assassinato dos pais, Manfred von Richthofen e Marísia von Richthofen, em um dos crimes mais marcantes da história recente do país.
Esse novo ciclo de exposição midiática não ocorre por acaso. Em análise sobre o tema, o jornalista Valmir Moratelli aponta que a glamourização do crime se tornou uma tendência crescente no streaming.
“A glamourização do crime em produções de streaming é um fenômeno que tem gerado bastante debate, porque diz respeito a como as plataformas retratam atividades e personagens criminosos de forma atraente, sofisticada ou cool.”
Moratelli, que é colunista de True Crime em Veja, acredita que produções populares passaram a construir narrativas apresentando criminosos como carismáticos e bem-sucedidos dentro do próprio universo ilegal, o que pode gerar identificação com o público, mesmo diante de atos moralmente condenáveis.
“Séries e filmes […] mostram protagonistas carismáticos, inteligentes e bem-sucedidos dentro do mundo do crime, fazendo com que o público possa simpatizar ou até admirar suas ações.”
Esse tipo de abordagem, embora eficaz do ponto de vista narrativo, levanta questionamentos sobre seus efeitos sociais. Uma série de críticos acreditam que a repetição dessas histórias pode, influenciar percepções sobre a criminalidade.
A discussão ganha ainda mais peso quando casos reais passam a ser explorados com linguagem cinematográfica. Em algumas produções, como aponta o jornalista, há uma “narrativa espetacular” que transforma crimes em produtos de alto apelo dramático, o que pode contribuir para o deslocamento do foco da gravidade do ato para o fascínio pela história.
Glamourização influencia cultura da criminalidade
Há um grupo de especialistas em direito que esse tipo de glamourização possa incentivar a criminalidade. O advogado Misael Belo acredita que esse cenário dialoga com uma percepção crescente entre profissionais do direito: a de que parte da criminalidade contemporânea, especialmente entre jovens, já não pode ser explicada apenas por fatores como desigualdade ou necessidade. Em alguns casos, o crime aparece associado à busca por reconhecimento, identidade ou pertencimento.
Nesse contexto, a cultura e o entretenimento passam a exercer papel relevante na formação de referências simbólicas. Quando o criminoso ocupa o centro da narrativa, seja em séries, músicas ou redes sociais, há o risco de que a transgressão seja reinterpretada como linguagem de visibilidade.
Por outro lado, o próprio debate exige cautela. Nem toda produção de true crime promove glamourização. Muitas exploram dilemas morais e consequências profundas. O problema surge quando, como resume Moratelli, a linha entre retratar e glorificar se torna tênue.
No caso de Suzane von Richthofen, a eventual participação em um reality show permanece no campo dos rumores. Ainda assim, a simples especulação foi suficiente para recolocar em pauta uma questão mais ampla sobre o papel da mídia na construção do imaginário coletivo sobre o crime.
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