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Novo atlas busca ajudar a salvar as áreas úmidas africanas em declínio

Atlas de zonas úmidas da Wetlands International reúne dados para orientar proteção no Sahel e no Chifre da África, combatendo a cegueira das áreas úmidas

A screenshot image of the Inner Niger Delta Landscape displayed for users navigating the Wetland Atlas, courtesy of Wetlands International.
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  • A Wetlands International lançou o Wetland Atlas, uma ferramenta que reúne dados espaciais sobre wetlands, potencial de mitigação climática, dependência populacional e status de proteção, para orientar governos e financiadores.
  • O foco inicial é a região do Sahel e do Chifre da África, áreas vulneráveis onde os wetlands correspondem a menos de 10% da área, mas abrigam mais de 75% da população e sustentam mais de 85% do PIB.
  • A plataforma busca combater a “cegueira das zonas úmidas”, que costuma ver rios, lagos e pântanos apenas como recursos hídricos, subestimando seus valores de segurança alimentar, mitigação de inundações, cultura e clima.
  • O delta interno do Niger, no Mali, é destacado como um clima de onda de cheias sazonais que alimenta milhões com peixe e arroz, além de oferecer habitat para hipopótamos, peixes-bois e aves migratórias; o delta enfrenta pressões de barragens e mudanças climáticas.
  • A expansão para outras regiões depende da disponibilidade de dados de referência de qualidade; a equipe diz que a ferramenta pode transformar a conservação de wetlands em oportunidade de investimento.

A Wetlands International lançou o Wetland Atlas, um atlas interativo que ajuda governos e financiadores a priorizar áreas de wetlands para proteção ou restauração. O foco inicial está no Sahel e no Corno de África.

O atlas integra informações espaciais sobre wetlands com dados sobre potencial de mitigação climática, dependência populacional e status de proteção. Diferente de mapas que trazem apenas dados brutos, o recurso reúne várias dimensões.

Desde 1970, mais de um terço dos wetlands do mundo já foi perdido, em ritmo três vezes superior ao desmatamento. O atlas busca tornar esses ativos mais visíveis para políticas públicas e investimentos.

Objetivos e abordagem

Segundo a coordenação, o instrumento combate a chamada “cegueira dos wetland”, que faz com que rios, lagos e áreas alagadas recebam menos atenção. A ferramenta enfatiza valores como segurança alimentar, redução de enchentes e mitigação climática.

Pesquisadores de Wetlands International combinaram dados biofísicos, socioeconômicos e de políticas para compor o conjunto, com validação local nas regiões selecionadas. O Sahel e o Horn ganham início por serem subrepresentados em dados integrados.

Destaques regionais

Entre os casos em destaque está o Delta Interior do Niger, na África Ocidental, a maior planície alagada da região. Enchentes sazonais alimentam milhões com pesca e arroz, além de servir de habitat para hipopótamos, peixes e aves migratórias.

O atlas identifica pressões, como barragens acima das cabeceiras e mudanças climáticas, que afetam a hidrografia e a biodiversidade. A intenção é mostrar a conexão entre wetlands e bem-estar humano.

Perspectivas de expansão

Michael Nelemans, responsável pelo Wetland Atlas, afirma que o projeto começa pelas regiões com dados limitados e maior vulnerabilidade. A expansão para outras áreas dependerá da disponibilidade de dados de base.

A organização destaca que a presença operacional nessas áreas facilita validação de dados e engajamento com usuários locais. A ideia é ampliar o atlas conforme houver dados compatíveis.

Créditos e próximos passos

A plataforma utiliza informações sobre bacia, uso do solo e políticas públicas. A Wetlands International planeja atualizar o atlas com novos conjuntos de dados assim que disponíveis, em linha com avanços de monitoramento.

A iniciativa reforça a importância de alinhar conservação de wetlands a investimentos, transformando o patrimônio natural em oportunidade de desenvolvimento sustentável.

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