- Bordeaux 2025 traz grandes mudanças: novas adegas e instalações de vinificação em várias propriedades, com foco em capacidade, eficiência e seleção de lotes.
- A produção de vinhos brancos segue em expansão, com o início do rótulo Médoc Blanc e várias novidades de brancos secos em várias châteaux, incluindo projetos inéditos e vinificações específicas.
- Ocorreram mudanças de gestão e de propriedade: geração de mudanças em grupos familiares e entradas de novos diretores, com Lulares de liderança em várias propriedades e fusões de marcas sob novos formatos.
- Reorganizações de vinhedos e denominações: cortes de área, foco em parcelas históricas e, em Lafleur, anúncio de todos os seis vinhos como Vin de France para maior flexibilidade climática e de rotulagem.
- Aniversários e marcos: Château Gruaud Larose celebra 300 vinadas, Brane-Cantenac completa 100 anos sob a família Lurton, Léoville Barton chega a 200, e a classificação de 1855 completa 170 anos.
Bordeaux 2025 acompanha as provas de En Primeur, momento de provar vinhos ainda em barris e observar as mudanças na região. O ano traz avanços em infraestrutura, inovações brancas, mudanças de propriedade e reorientações estratégicas nas vinhas.
Várias grandes propriedades finalizaram ou inauguraram instalações para a safra 2025. Château Léoville Las Cases completou uma adega de 13 mil m², com seis andares e dois níveis subterrâneos, sob a gestão de Arnauld Hubert. O complexo amplia a capacidade e abriga o primeiro projeto de branco da casa.
Château Ducru-Beaucaillou concluiu uma adega de 8 mil m² com 80 tonéis, recebendo uvas pela primeira vez com a safra de 2026. Château Calon Ségur abriu uma nova adega com cubas menores para maior seleção entre as parcelas. Château Lafite Rothschild planeja a grande obra de 4,5 mil m² de extensão e 6 mil m² de renovação para a safra 2026.
Novos espaços e futuro branco
Château Haut-Brion avança com uma adega carbono neutro projetada pela Annabelle Selldorf, que utiliza terra batida e solo da própria propriedade. A área inclui produção, museu/biblioteca e centro de pesquisa, com abertura aos visitantes prevista para janeiro de 2027. As vinhas 2025 foram produzidas no esquema existente.
O setor de vinhos brancos continua em ritmo acelerado, com a confirmação da nova designação AOC Médoc Blanc para 2025. Cuvées brancas como Baron de Brane e Caillou Blanc de Talbot passam a constar no novo rótulo, marcando expansão de brancos secos na região.
Diversas propriedades lançaram projetos brancos ou ampliaram iniciativas. Meyney produz o potencialmente único Blanc de Noir seco (100% Cabernet Sauvignon branco). Ormes de Pez abriu safras em Sauvignon e Sémillon em St-Estèphe, substituindo parte de Merlot e Cabernet Sauvignon. Tertre lançou Alba, mix Chardonnay-Gros Manseng, como segundo vinho branco. Siran criou seu primeiro branco seco em 50 anos. La Lagune lançou a primeira safra de branco com vinhas reimplantadas. Montrose incluiu Marsanne e Roussanne no branco. Léoville Las Cases apresentou o primeiro branco da casa, com assemblage 50% Sémillon, 25% Roussanne e 25% Marsanne (Rotulado como Vin de France).
Mudanças de propriedade e gestão
Entre as maiores transições, Bernard Magrez cedeu a liderança aos filhos Philippe Magrez e, em 2026, Pablo Laborde assume direção de grupo para blends e envelhecimento, com foco em Château Pape Clément. Várias mudanças de direção técnica ocorreram: Gerald Martinez na La Tour Carnet, François-Xavier Maroteaux assume presidência da UGCB, Baptiste Boissenot amplia atuação familiar, e Félix Pariente Lorenzetti intensifica sua função na holding do grupo. Chateau d’Issan recebeu Edgard Kappelhoff Lançon na direção comercial após a saída de Augustin Lacaille.
Entre movimentos internos, Vincent Bache-Gabrielsen transferiu-se para Lafon-Rochet e Lilian Ladouys; Christophe Congé saiu da Lafite para Pédesclaux. Chanel uniu quatro propriedades sob o guarda-chuva Les Vignobles, mantendo autonomia, com Nicolas Audebert coordenando o conjunto. 2025 ainda marca o fim da atuação de Jean-Luc Thunevin no Valandraud e a consolidação da aquisição de Valandraud pela família Lefevere, que passa a deter também o Thunevin négoce.
Reestruturações e novidades de vinhedos
Diante de custos, produção e rendimentos, várias propriedades reduzem áreas para focar em vinhedos de melhor qualidade. La Lagune retornou à área histórica de 1855, enquanto Pape Clément reposicionou-se junto aos seus terrenos originais. Lafleur, em Pomerol, decidiu converter todos os seus seis vinhos para Vin de France, buscando maior flexibilidade frente às mudanças climáticas.
O enólogo explicou que as mudanças respondem a extremos climáticos e visam manter a qualidade e a identidade dos vinhos. A produção de 2025 registrou colheitas antecipadas, com brancos em 19 de agosto e tintos em 26 de agosto, com rendimento de cerca de 35 hl/ha.
Aniversários e marcos
A safra 2025 celebra marcos importantes. Château Gruaud-Larose comemora seu 300º vinho. A família Lurton marca 100 anos em Château Brane-Cantenac, enquanto a Barton chega a 200 anos em Château Léoville Barton. Château Giscours completa 30 anos sob a gestão da família Albada Jelgersma. A classificação de 1855 completa 170 anos de história, com Margaux e Cos d’Estournel fechando o ciclo de conversão orgânica prevista para 2026.
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