- Comissão parlamentar de inquérito recomenda encerrar vários canais públicos e cortar €1 bilhão do orçamento total.
- O relatório acusa France Télévisions e Radio France de viés de esquerda e de desperdício financeiro.
- O relator, deputado Charles Alloncle, é apontado por críticos como tendo agenda favorável à privatização.
- Propostas incluem fusões entre France 2 e France 5, France 24 e France Info, além do fechamento de France 4, Slash e Mouv’, com redução de programas de entretenimento.
- Reações foram de críticas ao relatório por parte da direção da France Télévisions e do primeiro-ministro; o custo da radiodifusão pública na França é de quase €4 bilhões por ano.
O comitê parlamentar de investigação na França recomenda encerrar vários canais e reduzir em 1 bilhão de euros o orçamento dos radiodifusores públicos. A investigação durou seis meses e ouviu autoridades, executivos e especialistas. As conclusões ampliam o debate sobre o papel da TV e rádio públicas.
Segundo o relatório, a França Télévisions e a Radio France seriam alvo de cortes significativos e de fusões entre emissoras. A peça aponta suposta parcialidade de esquerda e desperdício financeiro como problemas centrais a serem enfrentados.
Os parlamentares defendem mudanças profundas na forma de operação da audiovisual pública, afirmando que o sistema atual não atende aos desafios do século 21. O texto chega em meio a um clima de tensão entre o governo, o parlamento e o setor.
Contexto financeiro e estrutura atual
O custo da radiodifusão pública ao estado é de quase 4 bilhões de euros por ano. O financiamento deixou de depender completamente de uma taxa de licença e passou a vir principalmente de receitas de IVA, com a participação também de publicidade.
O relatório cita o amplo portfólio de emissoras públicas, incluindo France 2, France 3, canais parlamentares, France 24, France Info, ARTE e o acervo do INA. A avaliação é de que esse conjunto seria excessivamente amplo para o modelo atual.
Recomendações e mudanças propostas
Entre as propostas estão cortar em um terço o orçamento esportivo da televisão, reduzir o número de programas de entretenimento e abolir France 4, Slash e Mouv’. Propõem também fusões entre France 2 e France 5, além de unir France 24 com France Info.
O relatório também sugere ampliar a diversidade de editores e comentaristas, hoje alvo de críticas de setores de direita e extremo-direita. As medidas teriam como objetivo ajustar a liderança editorial às novas demandas do público.
Reações e contestações
Portugal de alto escalão rejeitou a leitura do relatório como simples documento técnico. A presidente da France Télévisions argumenta que o relatório funciona como um julgamento político e prejudica a função pública da emissora.
O primeiro-ministro francês afirmou que o documento falha em tratar dos aspectos essenciais e caracteriza a fala como uma oportunidade perdida. Já o presidente do comitê afirma que a investigação buscou compreender falhas e propor soluções, sem favorecer nenhum grupo.
Alegações e controvérsias
O relatório cita alegações de suposta parcialidade e citações controversas atribuídas a comentaristas. Também aponta gastos com produção terceirizada, viagens e eventos como exemplos de desperdício. A relevância de tais casos é objeto de debate entre as partes.
Ao longo das audiências, o estilo duro do relator foi amplamente criticado por parlamentares de outras alas. A oposição sustenta que as acusações ganham projeção política e não apenas técnica.
Desdobramentos possíveis
A oposição e o governo podem usar o relatório como base para propostas legislativas ou ajustes orçamentários. A discussão sobre privatização da mídia pública continua no centro do debate político francês, com impactos possivelmente amplos para o setor.
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