- Nepal propõe legalizar zoos privados, centros de resgate e hospitais de vida selvagem, buscando infraestrutura e conscientização, segundo autoridades.
- Especialistas alertam que a falta de salvaguardas claras pode incentivar captura de animais e comprometer a conservação.
- O rascunho de diretrizes divide zoológicos e centros de resgate, mas é visto como insuficiente e pouco definido em fiscalização e bem‑estar animal.
- O governo planeja abrir novos zoológicos em Tanahun e Suryabinayak, próximos a Katmandu, conforme o modelo regulatório em debate.
- Analistas divergem: há potencial de melhoria com investimento privado, desde que haja regulação rígida para não colocar a conservação em segundo plano.
Nepal avalia legalizar zoológicos privados, centros de resgate e hospitais de fauna, ante críticas sobre salvaguardas fracas. Especialistas alertam que falhas poderiam estimular captura de animais e comprometer a conservação.
O governo afirma que a medida pode melhorar infraestrutura e conscientização, mas críticos apontam necessidade de clareza sobre fiscalização, cumprimento de normas e bem-estar animal. Há receio de lacunas regulatórias.
Dahal, presidente da SMCRF, afirma que há lacunas no projeto, que seria um avanço em relação ao vácuo regulatório, mas permanece incompleto. Ele cita a possibilidade de uso indevido de categorias de resgate.
O projeto envolve novas diretrizes para instalação e operação de diferentes tipos de zoológicos, além de padrões para centros de resgate. O ministério também planeja criar unidades regulatórias mais específicas.
Rachana Shah, ex-curadora do Zoo Jawalakhel, vê pontos positivos ao oferecer um caminho institucional, mas ressalta que o texto não define claramente o que caracteriza um caso de resgate. Ela destaca casos de animais feridos ou estressados.
Especialistas ressaltam riscos de fiscalização fraca, com a supervisão prevista para agências florestais regionais já sobrecarregadas. A sugestão é criar mecanismo regulatório dedicado, possivelmente dentro dessas unidades.
A discussão ocorre em meio a avanços de conservação no Nepal, como tigres de Bengala e rinocerontes de um chifre, obtidos por meio de áreas protegidas e participação comunitária. Críticos argumentam que ganhos podem diminuir se o foco virar apenas criação de animais em cativeiro.
O país já abriu debate sobre transportar espécies exóticas, importando riscos legais e ecológicos. A experiência indiana com a Central Zoo Authority é citada como referência sobre aprovação e renovação condicionais.
Sawant, especialista indiano, recomenda distinguir claramente entre centros de resgate e zoológicos, com concessões condicionais e possibilidade de revogação por não conformidade. No Nepal, há alerta para pressão por lucros que prejudicam o bem-estar animal.
Apesar das críticas, Shah ressalta que zoológicos bem geridos podem contribuir com educação e pesquisa, desde que alinhados à conservação. Experts destacam ainda a importância de equilibrar geração de renda com objetivos ambientais.
O governo reitera que o texto está em discussão e o real desafio será a implementação. Especialistas apontam que a robustez da regulação após a publicação das diretrizes definirá resultados.
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