- A indústria de pneus está pronta para a EUDR, mas as novas datas de implementação foram adiadas: grandes e médias empresas têm até 30 de dezembro de 2026 para cumprir, enquanto pequenas e microempresas ganham seis meses adicionais.
- A EUDR exige rastreabilidade e origem sem desmatamento para borracha natural, produzida de acordo com leis locais, envolvendo cerca de 6 milhões de pequenos produtores que respondem por aproximadamente 85% da oferta mundial.
- A Plataforma Global para Borracha Natural Sustentável (GPSNR) afirma que o setor já promove mudanças; Michelin e Continental estão prontos desde 2024, com os grandes fabricantes contribuindo para padrões mais rígidos.
- Mesmo com o preparo, o sistema de informações a jusante (DDSs) ainda é visto como complexo e pouco claro, o que gera frustração entre fabricantes de pneus europeus.
- Desafios persistem em cadeias de pequenos produtores, especialmente no Vietnã, onde muitos não possuem títulos de terra; soluções em nível de paisagem podem ajudar, e apenas cerca de 7% da borracha vietnamita é exportada para a UE.
A indústria de pneus afirma estar preparada para a Regulamentação Europeia sobre Deforestation, a EUDR, mas reclama dos atrasos na implementação. A norma visa impedir a venda de itens ligados à devastação florestal no mercado da UE, incluindo borracha natural. O rubro é um dos sete grãos visados pela regra.
Dentre os elos da cadeia, cerca de 6 milhões de pequenos agricultores respondem por cerca de 85% da produção mundial de borracha natural. Eles, em sua maior parte, ficam no Sudeste Asiático e, cada vez mais, na África Ocidental, com várias parcelas de terra. O rastro é complexo, com muitos intermediários.
A indústria do pneu consome 70% da borracha natural. A EUDR impõe rastreabilidade e comprovação de origem, bem como conformidade com leis locais. Originalmente prevista para 2024, a implementação foi adiada duas vezes, e o prazo para grandes e médios fabricantes passou para 30 de dezembro de 2026.
Contexto da regulação
Empresas grandes e médias terão prazo ampliado para se adequar, enquanto micro e pequenas ganham mais seis meses. A regulaçao busca transparência desde a origem até o produto final e já provoca mudanças em toda a cadeia.
Avanços e desafios na indústria
A GPSNR reúne fabricantes, pequenos produtores e sociedade civil para promover borracha sustentável desde 2018. O grupo já cobre 60% da cadeia e abrange grande parte das principais fabricantes de pneus. A entidade aposta que a regulação nivelará o campo de atuação no setor.
Michelin afirma estar há mais de dois anos pronta para a EUDR e destaca o desafio de geolocalizar cerca de 2 milhões de lotes de terra. A empresa compra borracha apenas de cadeias livres de desmatamento desde 2024, segundo comunicado.
Continental também está pronta desde 2024, segundo a empresa. A fabricante vê impactos amplos na indústria, com compradores globais elevando padrões para acompanhar regulações mais rigorosas. Ainda assim, aponta que o sistema de due diligence downstream é complexo e pouco claro.
Desafios de rastreabilidade e pequenos produtores
Para Tyres Europe, o sistema downstream de DDSs ainda gera dúvidas, dificultando a consolidação de informações para o mercado. A complexidade aumenta pela mistura de lotes de borracha natural de diferentes remessas e pela necessidade de consolidar dados de várias etapas da cadeia.
Mesmo com avanços, especialistas ressaltam que a rastreabilidade em cadeias com muitos pequenos produtores permanece desafiadora. Em Vietnã, por exemplo, pequenos produtores respondem por boa parte da produção e enfrentam dificuldades com títulos de terra e registros, agravando a conformidade com a EUDR.
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