- Dirk Willer, chefe global de estratégia macro do Citi, aponta que a IA pode ser uma bolha, mas ainda assim oferece oportunidades de ganho para investidores.
- O Citi mantém visão positiva para ações, com foco em tecnologia, e diz que o impacto da guerra no Irã não deve alterar significativamente o equilíbrio do mercado, se o petróleo ficar entre US$ 100 e US$ 120 o suficiente por mais um tempo.
- A priorização de tech deve reduzir fluxos para a B3, com demanda maior por emergentes da Ásia; porém o Brasil não sai do radar e há visão positiva para o real e para juros.
- Europa aparece como oportunidade caso haja acordo de paz, enquanto a Ásia tem destaque pela atuação tecnológica.
- Não há recomendação específica para o Brasil e o dólar continua com papel de proteção; o Citi não verifica crise de crédito nos EUA, segundo o estrategista.
Ao NeoFeed, Dirk Willer, head global de estratégia macro do Citi, analisa os temas que moldam os mercados e aponta impactos para o Brasil. O executivo comenta a relação entre tecnologia, IA e fluxos de capitais, com foco em ações e cenários macro.
Willer afirma que a IA pode parecer uma bolha, mas não impede buscar ganhos. Segundo ele, ainda não há aperto monetário suficiente para disparar o estouro, o que mantém o tema tecnológico como motor de alocação global.
O estrategista destaca que a tecnologia continua guiando investimentos, mesmo diante da tensão geopolítica. Mesmo com a guerra no Irã, não espera mudanças drásticas no equilíbrio de ações enquanto o petróleo se manteiver em faixas moderadas.
Acesso a ações de tech nos mercados globais
O Citi mantém a tese de que tech deve puxar rendimentos, com foco nos EUA e na Ásia emergente. Em cenários de guerra, o enfoque permanece na captura de ganhos com tecnologia, ao mesmo tempo em que se busca hedge contra oscilações de commodities.
Em relação ao Brasil, Willer não apresenta recomendação específica, priorizando a visão de tecnologia. O cenário para o real é visto positivamente, com juros também favorecidos, ainda que haja incerteza eleitoral.
Perspectivas macro e setoriais
Willer comenta que, caso o petróleo permaneça entre US$ 100 e US$ 120 por mais um tempo, não deve desequilibrar significativamente o mercado de ações. Um possível acordo de paz na região tende a favorecer a Europa nos primeiros dias.
Ele avalia ainda que a China pode divergir em desempenho quando há movimentos locais relevantes, mas ressalta que, no geral, a tecnologia segue como força unificadora entre mercados.
Brasil, crédito e dólar
O estrategista aponta que não houve boom de crédito nos Estados Unidos; o crédito privado não sustenta risco sistêmico. O dólar, por sua vez, permanece como proteção de risco, com mudança estrutural lenta e reservas internacionais sustentadas.
Willer conclui que o real e os juros no Brasil apresentam condições atrativas para estratégias de compra, apesar da necessidade de cautela tática perto de ciclos eleitorais. A visão permanece de longo prazo, com foco em tecnologia.
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