- O clima em torno da seleção iraniana mudou: antes trazia alegria nas ruas, hoje é marcado por distância e controvérsia.
- A mudança acompanha crise econômica, guerra e o movimento Mulheres, Vida, Liberdade, que ganhou força desde setembro de dois mil e vinte e dois.
- A participação da torcida diminuiu nas celebrações de qualificação para Copas, ao contrário de anos anteriores, refletindo o afastamento entre o time e o público.
- Setores da imprensa oposicionista e influentes meios em língua persa ajudam a moldar a percepção de que o time estaria alinhado ao regime, dificultando a conexão com a população.
- Sem uma conquista expressiva, como avançar de fase, é improvável que o futebol volte a simbolizar esperança forte para os iranianos.
Irã enfrenta queda de popularidade da seleção e do futebol diante de dificuldades econômicas, guerra e protestos. A percepção de que o time representa o regime ganhou força, mudando a relação com torcedores.
A mudança envolve torcida, governo e memória coletiva. Antes, títulos e celebrações eram símbolos de esperança; hoje, episódios de conflito social ajudam a distância entre o público e a equipe.
Ainda que o país tenha retornado ao radar mundial, não houve grandes celebrações públicas em torno das classificações recentes. Vídeos de festa são menos recorrentes nas redes sociais do que em períodos anteriores.
Contexto histórico
Historicamente, as classificações para Copas passadas geraram festividades de grande impacto em Teerã. Em 1998 e 2018, a população se mobilizou para acompanhar a seleção nas ruas e estádios.
Mas a onda de protestos iniciada em setembro de 2022, após a morte de Mahsa Amini, alterou drasticamente a leitura da futebol local. Parte da sociedade viu o time como parte do aparato estatal.
Dois fatores ajudam a entender o momento: pressão econômica severa e o peso de um conflito armado na região. Esses elementos reduziram o entusiasmo com a seleção entre muitos torcedores.
Para alguns iranianos, o futebol deixou de ser expressão de identidade nacional e passou a conciliar-se com a política. Isso ampliou a desconexão entre jogadores e torcedores.
Interventores e analistas apontam que a cobertura de meios de fora do país, frequentemente crítica, ajuda a moldar a percepção interna sobre o time. O debate permanece dentro do país, com diferentes leituras sobre o papel da equipe.
Alguns especialistas acreditam que o retorno do acesso à internet, após interrupção durante o conflito, pode reavivar o interesse pelos jogos. Contudo, não é possível prever se a torcida retomará o mesmo vínculo de antes.
O desafio da seleção, hoje, é claro: avançar em Copas poderia reacender o elo com a população. Sem esse feito, o futebol tende a manter-se como assunto menos relevante em momentos de tensão social.
Entre na conversa da comunidade