- Durante o Fórum Asia Grassroots, em Jacarta, nos dias três e quatro de junho de 2026, pesquisadores destacaram os riscos para pequenos agricultores na Indonésia frente a degradação ambiental, mudança climática e instabilidade econômica.
- Especialistas dizem que a mudança climática funciona como “agente de exclusão”, criando dupla exposição para agricultores que enfrentam volatilidade dos mercados e clima cada vez mais imprevisível.
- Estudos previos apontam que eventos climáticos extremos afetam safras e infraestrutura agrícola, elevando custos operacionais e reduzindo receitas; cada 1% de aumento na temperatura média eleva o preço de produção de alimentos em 1% a 2% na região.
- Há um enorme gap de financiamento: menos de um terço dos 100 bilhões de dólares necessários por ano para adaptação climática chega aos agricultores, agravando a necessidade de crédito, seguros e apoio financeiro direcionado.
- Iniciativas empresariais, como a AquaBloom, trabalham com biotratamentos à base de algas para tornar culturas mais resistentes, elevando a produção entre 20% e 30% e oferecendo proteção diante de choques climáticos para produtores vulneráveis.
Desde a conferência Asia Grassroots Forum, realizada em Jacarta nos dias 3 e 4 de junho, especialistas apontam que agricultores de base na Indonésia enfrentam maior imprevisibilidade devido à combinação de degradação ambiental, mudança climática e instabilidade econômica. O encontro reuniu pesquisadores e empreendedores locais para discutir ecossistemas de negócios sustentáveis para pequenos produtores.
Dados apresentados indicam que eventos climáticos extremos afetam safras, infraestrutura e custos operacionais, elevando receitas ausentes para muitos produtores da região. Estudos anteriores mostram que cada aumento de 1% na temperatura média eleva o custo de produção de alimentos na Indonésia e em países vizinhos, pressionando cadeias de suprimento locais.
Alex Arnall, da Universidade de Reading, destacou que a mudança climática funciona como um “agente de exclusão”, impondo uma dupla exposição aos produtores que enfrentam volatilidade de mercado e variações climáticas. O pesquisador ressaltou a necessidade de crédito, seguro e apoio financeiro direcionado aos pequenos agricultores.
Segundo Arnall, mesmo produtores experientes veem seu conhecimento sendo desafiado pela elevação do nível do mar e por mudanças costeiras que afetam técnicas tradicionais. A credibilidade de padrões climáticos locais aparece cada vez menos confiável entre os agricultores, com impactos na tomada de decisão.
Michelle Arsjad, CEO da AquaBloom, empresa de biotecnologia baseada em algas, apontou impactos sobre dois grupos vulneráveis: agricultores de algas e produtores rurais terrestres. A executiva citou que ventos de monção imprevisíveis e águas mais mornas elevam a incidência de infestações bacterianas em algas como Eucheuma cottonii.
Para os produtores terrestres, Arsjad disse que a crise é igualmente incerta. Muitos agricultores de arroz e pimentas enfrentam secas durante a monção e volumes excessivos de chuva na outra estação, dificultando a proteção de safras essenciais.
A AquaBloom atua como elemento de amortecimento frente a choques climáticos e variação de preços. A empresa desenvolve biostimulantes à base de algas para aumentar a resistência das culturas, segundo Arsjad, elevando as rendas em até 20% a 30%.
Essa abordagem busca apoiar agricultores cuja prática tradicional tem sido deslocada por mudanças climáticas rápidas, oferecendo uma via de adaptação baseada em ciência e tecnologia. O objetivo é ampliar a resiliência de pequenos produtores sem depender exclusivamente de recursos públicos.
Caminhos para a resiliência
- Acesso ampliado a crédito e seguros voltados a práticas climáticas inteligentes.
- Incentivo a tecnologia de biostimulação para culturas de base rural.
- Fortalecimento de redes de conhecimento entre agricultores e pesquisadores.
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