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Racha no chavismo pode redefinir o futuro político da Venezuela

Racha no chavismo pode redefinir o futuro da Venezuela, com Delcy Rodríguez abrindo portas aos EUA e elevando o risco de motins militares

A ditadora interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, substituiu Nicolás Maduro após a operação dos EUA em Caracas, em janeiro. (Foto: Miguel Gutiérrez/EFE)
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  • Cinco meses após a prisão de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, o regime venezuelano vive uma crise interna, com Delcy Rodríguez enfrentando críticas de alas radicais por permitir exercícios militares dos EUA em Caracas e buscar aproximação com Washington.
  • Rodríguez, ao assumir o comando, reestabeleceu voos diretos entre Miami e Caracas, reabriu a embaixada americana e autorizou que empresas de petróleo operem sob supervisão dos EUA; recentemente autorizou um exercício militar de fuzileiros navais dos EUA na capital.
  • Entre os críticos internos, destacam-se Iris Varela e Mary Pili Hernández, que acusam a líder interina de traição e de subserviência aos interesses de Washington; Varela chegou a dizer que a captura de Maduro pode ter sido consequência de infiltração interna.
  • O racha não é apenas ideológico: envolve disputa por poder e recursos; setores radicais temem perder imunidade e, sem o discurso de inimigo externo, a coesão do grupo pode se romper.
  • A oposição, liderada por Maria Corina Machado, vê a situação como insustentável e busca uma interlocução para uma transição, cobrando reformas no Conselho Nacional Eleitoral e fim de punições políticas para eleições presidenciais livres com fiscalização internacional; há preocupação com risco de motins ou contragolpes militares.

Cinco meses após a captura de Nicolás Maduro pelos EUA, a Venezuela vive uma crise interna sem precedentes. A líder interina Delcy Rodríguez enfrenta críticas duras de alas radicais por autorizar exercícios militares dos EUA em Caracas e buscar aproximação com Washington.

Desde que assumiu o comando em janeiro, Rodríguez promove mudanças drásticas. Restabeleceu voos diretos entre Miami e Caracas, reabriu a embaixada americana e permitiu que empresas de petróleo voltem a operar com supervisão norte-americana. Mais recentemente, autorizou um exercício militar de fuzileiros navais dos EUA na capital venezuelana, tabu que perdurou durante décadas.

Críticas internas ao governo interino

As acusações mais duras vêm de veteranos do chavismo, como a deputada Iris Varela e a ex-ministra Mary Pili Hernández. Elas apontam traição e subserviência a Washington. Varela citou a ideia de infiltração interna ao comentar as recentes concessões, destacando a percepção de que a captura de Maduro teria sido facilitada por forças internas.

Motivos da divisão dentro do chavismo

Analistas destacam que o racha envolve disputa por poder e por recursos. Enquanto Rodríguez busca estabilizar a economia passando a dialogar com o FMI e os EUA, setores ligados ao antigo circuito de enriquecimento rápido temem perder imunidade. Sem o discurso de inimigo externo, a coesão do grupo pode enfraquecer.

Papel da oposição na crise

A fragmentação do chavismo abre espaço para setores democráticos. A líder opositora Maria Corina Machado classifica o governo de Delcy como insustentável e busca atuar como interlocutora de uma transição. A oposição trabalha para cobrar reformas no Conselho Nacional Eleitoral e o fim de punições para viabilizar eleições com supervisão internacional.

Risco de motins e disputas militares

O cenário envolve risco elevado de descolamento militar. Ainda que Rodríguez tenha reformulado o Ministério da Defesa e trocado o comando para afastar aliados de Maduro, muitos oficiais de carreira permanecem resistentes às novas diretrizes. A aproximação com Washington pode gerar tentativas de motim ou contragolpes locais, caso a sobrevivência financeira de alguns membros seja afetada.

Conteúdo produzido pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para aprofundar, leia a reportagem completa.

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