- A B3 diz ter entre cinquenta e cem empresas preparadas para abrir capital, com algumas já com registro de companhia aberta aprovado.
- O CFO André Milanez afirma que esse é o tamanho do pipeline pronto para entrar no mercado, dependendo de uma janela mais favorável.
- O principal obstáculo não é a oferta de projetos, mas a demanda de investidores, devido à Selic elevada que favorece renda fixa.
- Investidores estrangeiros enxergam desconto relativo em ações brasileiras, enquanto o fluxo líquido de capitais no primeiro trimestre atingiu R$ 53,8 bilhões.
- Ainda que tenha havido a reabertura com o IPO da Compass, é cedo para afirmar que o mercado destravou; fechamentos de capital ocorrem quando as avaliações são desfavoráveis.
Nos últimos anos, o mercado de capitais brasileiro vivenciou escassez de IPOs e fechamento de capital. O CFO da B3, André Milanez, disse que existe uma fila de empresas prontas para abrir o capital no país. A afirmação foi feita no programa Números Falam, em parceria com a CNN Brasil.
Segundo Milanez, entre 50 e 100 companhias poderiam entrar na bolsa quando surgisse uma condição mais favorável. Ele destacou que já há pelo menos 50 empresas com registro de companhia aberta aprovado, esperando o momento certo para lançar IPOs.
Demanda é o desafio atual
A executiva análise é de que a dificuldade não está na oferta de projetos, mas na demanda de investidores. O ambiente financeiro ainda limita o apetite por ações, com a taxa Selic em patamar de dois dígitos tornando renda fixa atraente.
A percepção é de que investidores locais obtêm retornos sólidos em aplicações conservadoras, diferentemente do investidor estrangeiro, que vê descontos relevantes no mercado brasileiro frente a outras bolsas globais. Esses fatores ajudam a explicar o fluxo de capitais.
A entrada líquida de recursos estrangeiros na B3 atingiu R$ 53,8 bilhões no 1º trimestre, volume superior ao registrado em todo o ano de 2025, ainda que a reabertura da janela de ofertas não seja vista como definitiva. Milanez afirmou que ainda é cedo para declarar um destravamento do mercado.
Ritmo de fechamento de capital
A B3 observa uma prática pragmática: em cenários de desvalorização, empresas podem optar pelo fechamento de capital. Quando as avaliações sobem e o custo de capital cai, novas companhias tendem a buscar o contrário. O CFO explicou que esse movimento depende do ciclo de valorização do mercado.
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