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Coreia do Norte amplia arsenal nuclear rapidamente, diz relatório

Pyongyang acelera o programa nuclear, com Kim Jong-un prometendo ampliar o arsenal em ritmo exponencial para enfrentar supostas ameaças dos EUA e aliados

North Korea’s leader Kim Jong-un inspecting a newly-inaugurated nuclear materials production factory at an undisclosed location in North Korea.
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  • Durante reunião do Partido dos Trabalhadores, Kim Jong-un disse que ampliar constantemente as forças nucleares é a “forma mais correta e única” de lidar com um mundo cada vez mais instável.
  • Ele prometeu equipar navios de guerra com mísseis nucleares, dobrar a produção de material de armas e expandir o arsenal de forma exponencial.
  • Analistas afirmam que a pergunta não é se há armas, mas por que há tantos, com o arsenal desenhado para evitar um ataque e dificultar uma resolução diplomática.
  • O acervo inclui lançadores móveis, instalações subterrâneas e uma frota de submarinos em expansão; recentemente houve testes de mísseis de cruzeiro nucleares a partir de um destroyer de 5 mil toneladas.
  • A Constituição passou a reconhecer o comando nuclear sob Kim; embora a denuclearização siga como objetivo oficial dos EUA e da Coreia do Sul, especialistas sugerem que o foco pode migrar para controle de armas em vez da eliminação completa.

Os disparos de alertas de Pyongyang aumentaram as pressões sobre o cenário nuclear global. Em uma reunião do Partido Trabalhista no qual Kim Jong-un discursou, o líder norte-coreano afirmou que expandir de forma constante as forças nucleares é a “forma mais correta e única” de lidar com um mundo cada vez mais instável, citando ameaças dos Estados Unidos e de seus aliados.

Segundo ele, a Coreia do Norte planeja equipar navios de guerra com mísseis nucleares, dobrar a produção de material apto para armas e ampliar o arsenal de forma exponencial. As declarações vêm na esteira de uma sequência de comentários da cúpula de Pyongyang que já indicavam esse rumo de fortalecimento militar.

Análises indicam que, apesar das exageradas reivindicações de defesa, a investigação sobre o motivo de manter um arsenal tão diffuso não é mais se existe ou não armas nucleares, mas por que a região exige tantas armas. Pesquisadores ressaltam que o conjunto de ativos pretende tornar qualquer ataque inviável e dificultar a solução por meios diplomáticos.

De acordo com Peter Ward, pesquisador do Sejong Institute, a dispersão do arsenal pretende impedir intervenções externas, inclusive em situações similares às observadas no Irã. Ward aponta que a ameaça é deliberadamente vaga e que não se sabe onde todos os artefatos estão.

A estratégia também envolve capacidades para suportar um possível primeiro ataque, com lançadores móveis por estrada e via trem, instalações subterrâneas reforçadas e uma frota submarina em expansão. Em 2024 a Coreia do Norte começou a testar mísseis de cruzeiro com capacidade nuclear a partir de um novo destróier de 5 mil toneladas.

Nesta semana, Kim Jong-un prometeu que o país construirá mais dois navios de guerra a cada ano pelos próximos cinco anos. Analistas entendem que o regime acredita precisar de um arsenal maior para enfrentar o que vê como um contorno de forças adversas.

Hong Min, pesquisador sênior do Korea Institute for National Unification, afirma que Pyongyang confronta o guarda-chuva nuclear dos EUA, a aliança dos EUA com a Coreia do Sul e a cooperação trilateral com o Japão. Segundo ele, o regime busca ir além da dissuasão mínima.

Em termos institucionais, a Coreia do Norte introduziu armas nucleares na constituição, dando a Kim comando constitucional sobre as forças e a possibilidade de delegar a autoridade de lançamento a uma outra cadeia de comando. Analistas veem essa mudança como proteção contra um eventual ataque de desmonte.

Lee Ho Ryung, pesquisadora do Korea Institute for Defense Analyses, observa que Pyongyang pretende consolidar a ideia de que a desnuclearização não se aplica ao país e fortalecer a percepção de que a capacidade atual exige ser levada a sério pelos Estados Unidos.

Enquanto estados ocidentais mantêm a desnuclearização como objetivo formal, as leituras indicam que Washington e Seul devem manter políticas de neutralidade com ênfase em controle de armas, com foco em limitar gradualmente o arsenal, em vez de eliminá-lo completamente.

As relações da Coreia do Norte com a Rússia e a China aparecem como fatores que ajudam a reduzir a pressão externa. Em maio, houve confirmação de um “objetivo comum” entre EUA, Japão e Coreia do Sul no âmbito de desnuclearização, ainda que leituras internacionais sinalizem um reposicionamento estratégico na região.

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