- O acordo de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã pode reabrir o Estreito de Ormuz, mas não implica cortes de juros do Fed de imediato.
- A inflação continua acima da meta e o mercado de trabalho está estável; a economia americana permanece forte, impulsionada pela inteligência artificial e pelo consumo.
- Não parece haver necessidade urgente de cortes de juros; cenário-base sugere cortes de 0,25 ponto percentual em setembro, outubro e dezembro, dependendo dos dados, com possibilidade de adiamento para o ano que vem.
- A IA é responsável por aproximadamente metade do crescimento do PIB, segundo a análise, enquanto o consumo gera benefícios mais amplos e distribuídos.
- Tarifas e preços da energia tiveram impacto limitado no consumo; a resiliência também depende do desempenho dos mercados de ativos e do entusiasmo com a IA.
Em meio a um acordo que encerra o confronto entre Estados Unidos e Irã, a reabertura do Estreito de Ormuz não deve abrir caminho para cortes de juros do Federal Reserve, segundo Andrew Hollenhorst, economista-chefe para os EUA no Citi. O entendimento, porém, alivia parte da pressão inflacionária gerada pelo conflito, segundo o especialista.
Para Hollenhorst, a dinâmica atual favorece equilíbrio entre inflação e mercado de trabalho, sem empurrar o índice de preços para a meta de 2%. O alívio inflacionário pode ocorrer caso o fluxo de petróleo se normalize, gerando potencial queda nos preços da gasolina. Ainda assim, o mercado de trabalho permanece uma variável central.
Ele aponta que o núcleo da inflação segue acima da meta e o emprego está estável, com crescimento econômico sólido impulsionado pela IA e pelo consumo. Diante desse cenário, não há necessidade imediata de cortes de juros, embora não seja totalmente descartado que ocorram posteriormente, dependendo dos dados.
Hollenhorst destaca que, desde o início do ano, o mercado de trabalho mostrou melhoria frente a temores de fraqueza, e o recente dinamismo não converteu o custo da energia em pressão inflacionária persistente. A reabertura do estreito pode reduzir o risco de surpresas inflacionárias, mas não deve provocar mudanças abruptas na política monetária.
Perspectivas de política monetária
O cenário-base do Citi prevê cortes graduais a partir de setembro, com possibilidade de redução de 0,25 ponto percentual em setembro, outubro e dezembro, condicionados pelos sinais do mercado de trabalho. O time reconhece que o timing exato depende da evolução econômica, sobretudo da inflação e do petróleo.
Sobre a meta de inflação, o economista vê pouco espaço para revisões formais no objetivo, que poderia exigir credibilidade comprometida. Uma abordagem mais flexível, com faixa de inflação ou uso de indicadores adicionais, é considerada mais provável.
Setores e impactos na economia
Segundo o Citi, investimentos em IA respondem por aproximadamente metade do crescimento do PIB, com a outra metade vindo do consumo das famílias. Embora o consumo tenha se mostrado resiliente, o efeito tende a ser mais distribuído com o tempo, e queda no entusiasmo dos investidores poderia frear esse impulso.
Tarifas de importação e preços de energia exerceram efeito limitado sobre o consumo. Despesas das famílias de baixa renda sentiram mais o impacto dos combustíveis, mas, no agregado, não houve retração brusca do consumo. A confiança no crescimento permanece condicionada ao comportamento da IA e à evolução dos mercados.
Fatores externos e câmbio
Quanto ao déficit fiscal dos EUA, Hollenhorst afirma que o mercado não mostra preocupação imediata, ainda que déficits elevados e dívida/PIB altos persistam. Sobre o dólar, o cenário é neutro: cenário de dólar forte por fundamentos contrasta com diferenciais de juros que tendem a reduzir o valor da moeda.
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