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João Araújo: a trajetória de quem comprou o próprio destino

João Araújo transforma crise em expansão: assume dívidas, reconstrói a Buritirama e cria o Grupo Buritipar, hoje líder brasileiro no manganês

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  • Em 2015, a Mineração Buritirama enfrentava passivo de R$ 350 milhões; João Araújo, então diretor financeiro, passou a liderar a reestruturação arriscada para salvar a empresa.
  • João comprou 10% da companhia, tornando-se responsável solidariamente por R$ 35 milhões da dívida, renegociou ativos e levou a empresa a fechar o ano com caixa de R$ 1 milhão.
  • Entre 2015 e 2018, a Buritirama cresceu de R$ 80 milhões para R$ 750 milhões de faturamento, mas a ruptura societária só se consolidou no final de 2018, com disputa entre família e venda da participação.
  • O empresário assumiu o controle, quitou dívidas com o Bradesco, consolidou o Grupo Buritipar e tornou a Buritirama a maior produtora dedicada ao manganês no Brasil, com a Mina de Buritirama no Pará passando a produzir mais de 2,5 milhões de toneladas por ano.
  • O grupo diversificou ativos com 38,5% da Paranapanema (transformadora de cobre) e investimentos em potássio, logística e portos; em 2021 assinou acordo com a China Metálicas (Minmetals) para 1,5 milhão de toneladas anuais de manganês por dez anos, com pré-pagamento de US$ 400 milhões, porém o negócio enfrentou disputas judiciais e hoje aguarda decisões do Superior Tribunal de Justiça.

O homem que comprou o próprio destino: a trajetória de João Araújo é contada a partir de 2015, quando a Mineração Buritirama enfrentava falência com passivo de 350 milhões de reais. O empresário, então diretor financeiro, assumiu riscos e desenhou uma resposta estratégica para a crise.

Bancos credores hesitavam e o fundador Silvio Tini tentava vender ativos para conter perdas. João Araújo conduziu uma engenharia financeira que acionou créditos na Venezuela e vendeu ativos, assegurando caixa positivo de 1 milhão de reais ao fim daquele ano, suficiente para evitar problemas maiores.

Sem patrimônio pessoal, Araújo assumiu 10% da empresa, setor que pertencia aos funcionários. Ao recomprar a participação, tornou-se responsável solidariamente por 35 milhões de reais de dívida. Ele apostou sua reputação para reerguer o negócio.

A virada de 2015 a 2018

A partir de 2015, Araújo ocupou quatro diretorias e impulsionou uma expansão agressiva. O faturamento saltou de 80 milhões para 750 milhões de reais entre 2015 e 2018, consolidando a Buritirama como máquina de caixa e elevando tensões societárias.

No fim de 2018, Sílvio Tini sinalizou venda de 90% da companhia e sugeriu que Araújo vendesse sua parte. Às 22h, João leu a mensagem e reagiu: a empresa foi comprada por ele mesmo, após o pai fixar o valor de 500 milhões de reais. A operação ocorreu apesar de dívidas em curso.

A batalha com os bancos e a consolidação do grupo

Logo após o anúncio, a Buritirama enfrentou execução de dívidas pelo Bradesco. Araújo recorreu ao Itaú com um plano de crescimento, antecipou vendas e quitou uma dívida de aproximadamente 100 milhões de reais. Assim nasceu o Grupo Buritipar, com projeção de faturar 1,5 bilhão de reais nos anos seguintes.

Sob nova gestão, a Buritirama ganhou prêmios de prestígio e consolidou-se como a maior produtora de manganês do Brasil, deslocando o eixo da mineração do país para a cadeia de valor do minério de alta qualidade. A Mina de Buritirama, no Pará, passou a ser a maior mina de manganês a céu aberto da América Latina, com capacidade superior a 2,5 milhões de toneladas por ano.

Diversificação e infraestrutura logística

A partir de 2019, o Grupo Buritipar expandiu atuação para além do manganês. Investiu em diversificação, com foco em cobre, potássio e logística integrada, visando reduzir riscos de dependência de uma única commodity. A aquisição de participação na Paranapanema, de 38,5%, visava transformar a empresa numa transformadora de cobre, menos sensível a ciclos de commodity.

A estratégia incluiu integração de portos, áreas de transbordo e frota própria, otimizando o frete Norte–Sul e reduzindo custos. A verticalização criou vantagem competitiva, fortalecendo margens em um cenário de volatilidade de preços de minério.

O acordo bilionário e o conflito atual

O acordo de compra envolveu cerca de 500 milhões de reais, com a família recebendo 150 milhões líquidos e Araújo assumindo o passivo de 350 milhões. Entre 2018 e 2019, a gestão operou sem contrato formal, enfrentando judicialização movida por Sílvio Tini para cobrar dezenas de milhões.

Hoje, a disputa envolve questões contratuais e financeiras. Além dos litígios, o grupo enfrenta a relação com bancos e questões de governança. O foco permanece na continuidade do modelo de negócios e na capacidade de manter a Buritirama e o Grupo Buritipar em operação estável.

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