Em Alta Copa do Mundo NotíciasPessoasAcontecimentos internacionaisPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Síndrome do intestino permeável: bactérias entram no sangue e afetam o humor

Intestino permeável favorece passagem de LPS para o sangue, aumentando inflamação e, no fim, afetando humor, ansiedade e depressão

Intestino permeável pode liberar toxinas no sangue. (Foto: Fala Ciência via Gemini)
0:00
Carregando...
0:00
  • O eixo intestino-cérebro conecta o sistema digestivo ao nervoso central por meio do nervo vago, hormônios, sistema imune e substâncias da microbiota.
  • Cerca de 90% da serotonina do organismo é produzida no trato gastrointestinal, principalmente por células chamadas enterocromafins, influenciadas pela microbiota.
  • A barreira intestinal, quando comprometida pela hiperpermeabilidade, permite que fragmentos bacterianos atravessem para a circulação, com lipopolissacarídeos (LPS) entre os principais invasores.
  • A presença de LPS no sangue desencadeia inflamação sistêmica e alterações na comunicação entre neurônios, fortalecendo a vulnerabilidade a ansiedade e depressão.
  • Estudos recentes associam disbiose a neuroinflamação e a mudanças comportamentais relacionadas ao humor, destacando a importância de uma microbiota equilibrada para a saúde mental.

Durante muito tempo, ansiedade e depressão foram vistas apenas como problemas do cérebro. Hoje, a ciência aponta o intestino como um protagonista silencioso, habitado por trilhões de microrganismos que influenciam emoções, comportamento e resposta ao estresse.

O intestino funciona como um centro de comunicação química com o sistema nervoso central. Bactérias, nervo vago, hormônios e o sistema imunológico atuam juntos nessa via de mão dupla, que pode modular o humor e a inflamação cerebral.

O eixo intestino-cérebro conecta o trato digestivo ao cérebro, com participação de neurotransmissores, hormônios e substâncias produzidas pela microbiota. Cerca de 90% da serotonina do organismo é gerada no trato gastrointestinal, pelas enterocromafins, cuja atividade depende das bactérias intestinais.

Barreiras e invasões

Quando a barreira intestinal funciona como proteção, as junções tight mantêm o tráfego de substâncias controlado. Estresse, má alimentação e desequilíbrio da microbiota podem favorecer a hiperpermeabilidade, permitindo que fragmentos bacterianos entrem na circulação.

Entre os invasores estão os lipopolissacarídeos LPS, componentes da parede de bactérias gram-negativas. A entrada desses fragmentos no sangue dispara uma resposta imune, com produção de substâncias inflamatórias em todo o organismo.

Essa inflamação pode afetar a comunicação entre neurônios, ativar células imunológicas do cérebro e aumentar a vulnerabilidade a quadros de ansiedade e depressão. Pesquisas associam disbiose, o desequilíbrio entre bactérias benéficas e prejudiciais, à neuroinflamação.

Evidências recentes

Estudos recentes fortalecem o vínculo entre microbiota e saúde mental. Uma pesquisa publicada na Frontiers in Psychiatry, com Jiayi Li, analisou a disbiose e processos inflamatórios em transtornos depressivos, com publicação em setembro de 2025. Outro estudo, liderado por Jing Ren e publicado na Frontiers in Neuroscience, em julho de 2025, apontou alterações da microbiota em circuitos cerebrais ligados à ansiedade em modelos experimentais.

Implicações para o dia a dia

A compreensão do eixo intestino-cérebro está redefinindo abordagens de saúde mental. Embora ansiedade e depressão não tenham origem exclusiva no intestino, o estado da microbiota pode exercer influência relevante. Estratégias como alimentação rica em fibras, frutas, vegetais e alimentos fermentados ajudam a promover um microbioma equilibrado e menor propensão à inflamação.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais