- O enfermeiro missionário Peter Stafford contraiu Ebola durante o surto em Catar no Congo Democrático e foi evacuado para tratamento na Alemanha e, posteriormente, para os Estados Unidos.
- A família Stafford — Peter, Rebekah e os filhos — deixou Nyankunde, no leste do Congo, e chegou a Berlim para tratamento, antes de seguir para os EUA; Peter recebeu anticorpos monoclonais e teve melhora rápida.
- Dados do surto até o momento: o CDC registra pelo menos 1.048 casos e 267 mortes na DRC, além de 20 casos e 2 mortes em Uganda; a variante é Bundibugyo.
- Mesmo recuperado, o retorno ao Congo só deve ocorrer em pelo menos três meses, em função da recuperação de Peter e de a viagem exigir apoio financeiro e logístico; as especialidades médicas dos Stafford não ajudam no combate à Ebola.
- A família agradece o suporte recebido e continua em contato com a comunidade local e com outros missionários; a população de Nyankunde enfrenta condições de acesso a itens básicos e serviços de saúde.
Peter Stafford, médico missionário, contraiu Ebola durante o recente surto na República Democrática do Congo. A notícia ganhou contornos globais, porém, em Nyankunde, ele é conhecido como o “Pai de Luke”, referência ao filho de sete anos que frequenta uma liga local de futebol.
Luke é uma criança popular na comunidade, com irmãos mais novos e muitos amigos na cidade de Nyankunde, no leste da RDC, onde os Stafford atuam desde 2021. A família trabalha no Nyankunde Hospital, gerido pelo Christian Health Service Corps, e a dupla médica atende cerca de 13.500 habitantes da região.
Antes do surto, a rotina incluía escola, homeschooling dos filhos e atividades esportivas. O hospital local já enfrentava carência de insumos básicos, como luvas e máscaras, além de problemas de água potável e energia.
Contexto da crise na região
A história do surto começou no dia 15 de maio, quando autoridades de saúde anunciaram o início de um novo surto de Ebola. No período anterior, havia mortes inexplicáveis em Mongbwalu, a 56 quilômetros de Nyankunde, elevando a preocupação local.
O vírus desta vez é a variante Bundibugyo, associada a uma mortalidade menor que outras cepas, mas ainda assim traz risco elevado de transmissão. Entre maio e junho, o surto provocou mais de mil casos na RDC e várias ocorrências na região vizinha, Uganda.
Evacuação e tratamento médico
Peter começou a apresentar sintomas no dia seguinte ao anúncio oficial e isolou-se em um banheiro de casa. A infecção foi confirmada ao hospital na semana seguinte, após complicações respiratórias e febre alta. Rebekah e outro médico foram expostos, sem adoção de sintomas graves.
Por motivos de segurança, a família foi evacuada com apoio de embaixadas. Peter recebeu tratamento com anticorpos monoclonais durante o voo, o que trouxe melhora rápida, ainda que a febre tenha persistido por algum tempo. A família foi transferida para a Charité, em Berlim, para atendimento especializado.
Situação da família e desdobramentos
Rebekah e as crianças foram para a Alemanha, mantendo contato com a equipe médica para monitoramento. O médico LaRochelle permaneceu no Congo, em situação médica estável, após ter tido contato com o vírus. A família seguiu para os Estados Unidos, onde permanece sob acompanhamento.
Na Alemanha, as equipes médicas consideraram o tratamento exemplar, descrevendo o cuidado como solidário e de alta qualidade. Ao final de junho, o casal e as crianças estavam livres de sintomas e a família planeja um retorno eventual à RDC, caso as condições permitam.
Perspectivas e apelos
Os Stafford salientam que muitos moradores de Nyankunde enfrentam severa escassez de itens médicos e de suporte básico. Eles ressaltam a necessidade de fortalecer centros de tratamento e de ampliar a proteção de profissionais de saúde que atuam na região.
Quem conhece a rotina local expressa gratidão pela assistência recebida, enquanto observa o sofrimento de outras famílias que não tiveram acesso a cuidados semelhantes. A família continua pedindo orações e apoio a trabalhadores de saúde e missionários na RDC.
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