- O porto de Suape, inaugurado na década de oitenta e em plena operação nos anos noventa, é apontado como principal fator dos ataques, com 77 incidentes desde 1992.
- As espécies mais envolvidas são o tubarão-tigre e o cabeça-chata, conhecidas pela ferocidade.
- Ventos fortes do sul e sudeste elevam as correntes e atraem tubarões que seguem navios em direção às praias.
- O aumento de surfistas e banhistas, a pesca de arrasto de camarão e a destruição de mangues ligados ao porto ajudam a aproximar tubarões da costa.
- Um canal entre a praia e um banco de areia funciona como refeitorio, atraindo presas como raias e mantendo tubarões por perto.
O que ocorreu: ataques de tubarões são registrados com maior frequência na região metropolitana de Recife desde a década de 1990, com 77 incidentes desde 1992. Especialistas apontam relação entre a atuação do porto de Suape e o aumento desses eventos.
Quem está envolvido: as espécies mais associadas aos ataques são o tubarão-tigre e o cabeça-chata, que costumam apresentar comportamentos agressivos e grande apetite. Surfistas e banhistas aparecem como as principais vítimas.
Quando e onde: os incidentes aumentaram a partir dos anos 1990, em praias de Recife e região litorânea. As ocorrências se concentram quando ventos do sul e sudeste elevam correntes próximas à costa.
Por quê: fatores naturais, a modernização da região e mudanças no ecossistema ajudam a aproximar tubarões da linha de água. Entre eles, o aumento de navios no porto de Suape e a presença de restos de pesca no mar.
Espécies responsáveis
Até 3,5 metros
Cabeça-chata (Carcharhinus leucas)
Extremamente adaptável à água doce, já foi encontrado a milhares de quilômetros da costa. Possui nariz largo, olhos pequenos e barriga branca. Fêmeas costumam ser maiores que os machos.
Até 6 metros
Tubarão-tigre (Galeocerdo cuvier)
Entre as grandes ameaças, é conhecido pela violência. Consome variadas presas, incluindo tartarugas, raias e até peças da mesma espécie. O corpo apresenta manchas pretas características.
Condições que atraem
Ventania de sul e sudeste eleva as correntes, levando tubarões em direção às praias. Em dias assim, barcos do porto de Suape podem servir de trilha para os predadores, que seguem rastros de embarcações.
Vítima preferencial são os surfistas, que passam mais tempo na água. Ondas formadas longe da praia se quebram perto do banco de areia, aproximando nadadores e tubarões.
Porto de Suape e impactos locais
O crescimento do porto, no sul de Recife, aumenta o tráfego de navios na região. Restos de comida ejetados no mar atraem tubarões para perto da costa.
Manguezais destruídos para a construção do porto levaram fêmeas de cabeça-chata a migrar para o estuário do rio Jaboatão, que deságua nas praias da cidade.
Ambiente marinho local
Um banco de areia próximo às praias determina a formação de um canal profundo entre 5 e 8 metros. Esse canal funciona como área de alimentação para tubarões, com presas como raias abundantes no local.
Entre na conversa da comunidade