- O Indian Rhino Vision 2020 (IRV 2020) foi lançado em 2005 para reverter a queda da população de rinocerontes-do-pequeno-pescoço de orelha grande (Greater one-horned rhinoceros) em Assam, Índia, visando ampliar a distribuição de três para sete parques.
- A meta era elevar o total de rinocerontes de cerca de 1.855 em Kaziranga, mais 68 em Orang e 81 em Pobitora, para 3.000 animais em quinze anos.
- Em 2008, após preparação de segurança e habitat, rinocerontes adultos foram translocados de Pobitora para Manas, com monitoramento por colar radiomóvel; até março de 2012, 18 animais haviam sido movidos sob o programa.
- A parceria enfrentou entraves, principalmente a obtenção do etorfina (anestesia para grandes grandes mamíferos) e, entre 2011 e 2016, houve aumento de furtos em Manas e falhas de segurança, levando a interrupção de novas translocações.
- Em Burachapori, projeto paralelo, foi criado um cercado de quarenta e seis hectares para adaptar rinocerontes antes da liberação; porém, mortes de mães e de filhotes destacados mostraram limitações, levando a reavaliação do IRV 2020 e suspensão de novas translocações para Manas.
O IRV 2020, uma iniciativa para reintroduzir rinocerontes na região de Assam, foi lançada em 2005 diante da queda populacional. O projeto visava ampliar a distribuição dos animais de três para sete parques, deslocando animais de Kaziranga e Pobitora para áreas como Manas e Burachapori.
A meta original era chegar a 3.000 rinocerontes em quinze anos, fortalecendo a proteção de populações já existentes. A ideia era reduzir o risco de extinção da espécie, ao diversificar seus habitats e aumentar a vigilância contra doenças, desastres naturais e caça ilegal.
Primeiro passo: Manas como área de restocking
Em 2008, Manas National Park foi escolhido como o primeiro parque a receber rinocerontes reintroduzidos, após melhorias em segurança e habitat. Um trabalho conjunto envolveu a Administração Florestal de Assam, WWF Índia e organizações parceiras.
Calves órfãos, criados no Center for Wildlife Rehabilitation and Conservation próximo a Kaziranga, foram transferidos para Manas em 2006-2008, em uma área cercada por bomas para manejo supervisionado. O objetivo era permitir adaptação gradual ao novo ambiente.
Em 11 de abril de 2008, dois rinocerontes adultos foram sedados e transportados em caixas especiais, sob forte proteção policial. No dia seguinte, foram soltos no interior de Manas, com monitoramento por collar de rádio. A operação teve suporte logístico intenso e envolveu a comunidade local.
A primeira fase de translocação foi considerada bem-sucedida, levando a planejamentos para mover mais 18 animais até março de 2009. Contudo, o programa enfrentou entraves significativos.
Dificuldades logísticas e persistência do risco
A obtenção de etorfina, droga tranquilizante essencial para a sedação, foi um dos maiores obstáculos. O composto é classificado como narcótico de Classe I na Índia, dificultando importação, fabricação e armazenagem. A validade da droga também é limitada.
Somente em 2010 houve nova remessa de etorfina, permitindo a translocação de duas fêmeas adultas de Pobitora para Manas. Em 2012, outras 14 tinham sido transferidas, totalizando 18 rinocerontes movidos sob o IRV 2020.
Paralelamente, o CWRC enviou 10 bezerros resgatados entre 2006 e 2016 para Manas, ampliando a população local. Algumas fêmeas translocadas deram à luz, elevando a população de Manas para 32 em 2015.
Desafios de conservação e mudanças estratégicas
Entre 2011 e 2016, Manas sofreu ataques de caçadores que ceifaram 10 rinocerontes. Em 2013, o IRV 2020 interrompeu novas translocações para Manas, priorizando a melhoria da segurança do parque.
Com a pausa em Manas, o programa voltou-se para Burachapori Wildlife Sanctuary, preparando a área com uma cerca e um cercado de 150 hectares para facilitar a adaptação preliminar dos animais. Em 2016, um bezerro e sua mãe foram transferidos, mas a mãe morreu pouco depois, em circunstâncias ainda não claras.
O que vem a seguir e o estado atual
O IRV 2020 avaliou a viabilidade de ampliar para Dibru-Saikhowa National Park, mas reconheceu que o desafio logístico e a pressão de caça dificultam o alcance da meta de sete parques até 2020. A expectativa de alcançar 3.000 rinocerontes até o período ainda é discutida entre especialistas.
Ao início de 2017, estimava-se que Assam possuía pelo menos 2.600 rinocerontes, com a possibilidade de acrescentar 400 em quatro anos, desde que haja redução efetiva da caça. O programa continua a buscar soluções para melhorar a detecção de doenças e a eficácia das ações de proteção.
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