- Desde 1970, a população de aves na porção continental dos Estados Unidos e no Canadá caiu 29%, totalizando a perda de 2,9 bilhões de aves.
- A conclusão vem da análise de quase cinquenta anos de dados de 529 espécies, coletados em várias base de monitoramento.
- Dados de 143 radares meteorológicos mostraram queda de 14% na migração noturna de aves entre 2007 e 2017.
- A maior parte da perda ocorreu em doze famílias de aves, especialmente as de prado, com redução de 53% desde 1970 e 700 milhões de indivíduos a menos hoje.
- Grupos como aves de rapina e aves de zonas úmidas apresentaram ganho, mas isso não compensa o recuo global.
Em um estudo publicado na Science, pesquisadores indicam que as populações de aves na América do Norte caíram de forma alarmante desde 1970. A análise abrange 529 espécies e quase cinco décadas de dados, cobrindo os EUA continental e Canadá. Além disso, dados de radares meteorológicos foram usados para monitorar migração noturna, revelando quedas significativas entre 2007 e 2017.
O estudo aponta uma perda líquida de 29% no contingente de aves na região, equivalente a 2,9 bilhões de indivíduos. Maior parte dessa redução ocorreu entre 12 famílias de aves, incluindo tentilhões, guarás e verdinheiras, com destaque para o declínio acentuado de aves de campo.
O que muda na prática
A pesquisa também utilizou uma rede de 143 radares para acompanhar a migração noturna, detectando queda de 14% nas aves migratórias desde 2007. As conclusões sugerem que a maior parte da perda se concentra em espécies comuns, o que amplia o alcance da crise para além de espécies ameaçadas.
Em termos de regiões e habitats, aves de campos abertos registraram retração de 53% desde 1970, com 700 milhões de indivíduos a menos neste grupo. Quase 75% das espécies de aves de áreas abertas estão em declínio, segundo os pesquisadores.
Olhar externo e impactos
Apesar de ganhos em grupos como aves de rapina e aves de áreas úmidas, o total não compensa as perdas gerais. Os cientistas destacam que os padrões de declínio na América do Norte são consistentes com o observado em outras regiões, sugerindo causas compartilhadas.
O estudo não detalha causas específicas, mas aponta que a conversão de campos para agricultura e urbanização, além do uso generalizado de pesticidas, são fatores prováveis. Tais pressões aparecem ligadas a quedas semelhantes em estudos de outras regiões.
Percepção de especialistas
Especialistas enfatizam que as aves são indicadores da saúde ambiental e que a tendência aponta para impactos em ecossistemas inteiros. A necessidade de ações rápidas e de liderança pública é destacada para mitigar perdas futuras, com impactos também em serviços ecossistêmicos.
O trabalho é conduzido por Ken Rosenberg, da Cornell Lab of Ornithology e American Bird Conservancy, e cita contribuições de outros pesquisadores. A mensagem central é clara: preservar a avifauna exige respostas políticas e ações individuais em larga escala.
Observação final
A pesquisa reforça que a redução de aves no continente pode sinalizar quedas similares em outros grupos de animais. A comunidade científica solicita monitoramento contínuo e políticas públicas que protejam habitats e reduzam ameaças, visando evitar um novo colapso populacional.
Referência: Rosenberg et al. Decline of the North American avifauna. Science. eaaw1313.
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