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Mineração expõe mulheres indígenas da América Latina a altos níveis de mercúrio

Estudo aponta altas concentrações de mercúrio em mulheres indígenas de quatro países latino-americanos, associadas à mineração de ouro e risco ao desenvolvimento fetal

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  • Estudo feito por IPEN e o Biodiversity Research Institute encontrou níveis perigosos de mercúrio em mulheres de comunidades indígenas na Bolívia, Brasil, Venezuela e Colômbia, próximas a áreas de mineração de ouro.
  • Foram analisadas amostras de cabelo de 163 mulheres em idade fértil (18 a 44 anos); 58,8% estavam acima de 1 ppm, limiar da EPA, e 68,8% acima de 0,58 ppm.
  • As maiores médias foram em Eyiyo Quibo e Portachuelo, na Bolívia, com 7,58 ppm; em El Callao, Venezuela, 1,1 ppm; e em Vila Nova, Brasil, 2,98 ppm.
  • Os níveis elevados estão ligados a uma dieta baseada principalmente em peixes de rios que passam por áreas de mineração.
  • Entre as propostas, destacam-se reduzir a ingestão de peixes com maiores níveis de mercúrio, buscar espécies com menor acúmulo e, em longo prazo, banir o mercúrio na mineração, com monitoramento e assistência médica às comunidades afetadas.

A investigação recente revelou níveis perigosos de mercúrio entre mulheres de comunidades indígenas em quatro países da América Latina. O estudo envolve indígenas de Bolivia, Brasil, Venezuela e Colômbia, próximas a áreas de mineração de ouro com uso de mercúrio.

Foram coletados fios de cabelo de 163 mulheres em idade féria, entre 18 e 44 anos, e as amostras foram analisadas em laboratórios da Biodiversity Research Institute, no Maine, EUA. Os resultados indicam alta exposição ao mercúrio nessas comunidades.

Segundo o relatório, 58,8% superaram o limite de 1 ppm estabelecido pela EPA, e 68,8% passaram de 0,58 ppm, considerado o nível mínimo com efeitos negativos sobre fetos. Os dados variam conforme a região.

Entre os locais, Eyiyo Quibo e Portachuelo, na Bolívia, tiveram as maiores médias, 7,58 ppm. Em El Callao, na Venezuela, a média foi de 1,1 ppm, e em Vila Nova, no Brasil, 2,98 ppm. Em Iquira, Colômbia, houve menor concentração, 0,25 ppm.

A dieta baseada em peixes de rios conectados a mineração foi identificada como fator comum. A investigação aponta que comunidades distantes podem apresentar níveis elevados por dependerem do mesmo sistema fluvial contaminado.

Possíveis soluções

Para especialistas, é essencial avaliar a contaminação por mercúrio em comunidades indígenas de áreas de mineração junto aos rios. A dependência de peixe dificulta substituição alimentar sem impactos.

O documento sugere alternativas para reduzir a exposição, como escolher espécies de peixe com menor conteúdo de mercúrio, especialmente para mulheres em idade fértil. Também é enfatizada a necessidade de intervenção governamental.

A pesquisa destaca que a contaminação pode afetar populações que vivem longas distâncias ao longo de sistemas fluviais. Ações de monitoramento, mitigação da mineração com mercúrio e assistência médica são apontadas como prioridades.

A equipe responsável pelos dados ressalta que estudos adicionais devem ocorrer em América Latina, com foco em comunidades vulneráveis que dependem de peixes de rios próximos a mineração.

Fonte: IPEN e o Biodiversity Research Institute. O relatório completo traz detalhes metodológicos e dados regionais, além de recomendações para políticas públicas e saúde indígena.

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