- Um estudo na revista Nature Communications aponta que a poluição por nitrogênio proveniente de agricultura e esgoto pode agravar significativamente a escassez de água limpa até 2050.
- Analisaram mais de dez mil bacias fluviais globais e constataram que, em 2010, não havia apenas 984 bacias com escassez de água baseada na quantidade, mas com poluição por nitrogênio esse total passou a mais de 2.500.
- Na projeção de 2050, o pior cenário aponta para mais de 3.000 subbacias com escassez de água limpa, abrangendo cerca de 40 milhões de quilômetros quadrados adicionais de área de bacia e afetando até 3 bilhões de pessoas a mais do que a estimativa de 2010 baseada apenas na quantidade de água.
- Os pontos quentes de poluição por nitrogênio foram identificados na China, na Índia, na Europa, na América do Norte e na África.
- Entre as medidas, o estudo recomenda melhor gestão e uso mais eficiente de fertilizantes, além de ampliar o tratamento de esgoto; também aponta necessidade de mais pesquisas sobre outros poluentes emergentes que podem degradar ainda mais a qualidade da água.
A pesquisa, publicada na Nature Communications, afirma que a poluição por nitrogênio pode agravar a escassez de água limpa até 2050. O estudo combina dados globais com modelos de qualidade da água e qualidade, não apenas quantidade.
Pesquisadores da Alemanha e da Holanda modelaram mais de 10 mil basins fluviais. Em 2010, 984 basins já enfrentavam escassez por água de baixa qualidade; com nitrogênio, o número subiu para mais de 2.500 basins.
Até 2050, um cenário de poluição piora projeta mais de 3.000 subbasins em risco, expandindo 40 milhões de km² de área de base e potencialmente afetando 3 bilhões de pessoas além das 2,9 bilhões já estimadas pela escassez de quantidade.
Principais conclusões e impactos
O estudo aponta hotspots de nitrogênio na China, Índia, Europa, América do Norte e África. A divergência em relação a avaliações tradicionais decorre de considerar a qualidade da água, e não apenas o volume.
Mengru Wang, autora, destaca que água suficiente nem sempre é utilizável se a qualidade for ruim. A equipe recomenda ampliar o monitoramento da poluição e a integração entre gestão de nutrientes e disponibilidade de água.
Desafios e medidas
Os autores ressaltam que novos poluentes emergentes, como microplásticos e metais, deverão degradar ainda mais a água no futuro. Eles sugerem melhorias no tratamento de águas residuais e uso mais eficiente de fertilizantes.
Sementa, da Suécia, afirma que a relação entre poluição, mudanças climáticas e desigualdades pode ampliar riscos de doenças transmitidas por água. A pesquisa não avalia totalmente outros contaminantes, mas planeja análises futuras.
Caminhos possíveis
Entre as ações propostas estão melhor manejo de fertilizantes, incremento de tratamento de esgoto e redução do consumo de carne para melhorar a eficiência do uso de nutrientes. Mesmo com cenários otimistas, hot spots permanecem em China, Índia e Europa.
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