- Specialists do Getty encontraram um cone de pólen preso na tinta espessa de Irises, a menos de uma linha do canto inferior esquerdo da pintura, indicando a origem das flores plantadas no jardim murado do asilo de Saint-Paul-de-Mausole.
- O cone mede pouco mais de 1 cm e provavelmente veio de um pinheiro de guarda-chuva, comum na área do jardim onde Van Gogh ficou, em Saint-Rémy-de-Provence.
- O jardim permanece pouco alterado desde a época do pintor; o local fica ao fundo do espaço ajardinado do hospital psiquiátrico moderno que ocupa o antigo asilo.
- A cor original das iris tinha tons violetas, descritos pelo próprio Van Gogh em carta de 9 de maio de 1889, e por críticos da época; a tonalidade mudou para o azul devido ao desbotamento de pigmentos vermelhos.
- A exposição “Ultra-Violet: New Light on Van Gogh’s Irises” ocorre de 1 de outubro de 2024 a 19 de janeiro de 2025 no Getty, com reconstrução de cores para mostrar como a obra pode ter parecido originalmente.
O que aconteceu: pesquisadores do Getty identificaram um cone de pólen preso ao thick impasto de Van Gogh em Irises, pintado no início de maio de 1889. O pólen foi encontrado na região inferior esquerda da obra, atualmente no J. Paul Getty Museum, em Los Angeles.
Quem está envolvido: os especialistas Devi Ormond (conservadora) e Catherine Patterson (cientista) conduziram a análise. Eles receberam acesso especial ao Jardim Murado do asilo Saint-Paul-de-Mausole, em Saint-Rémy-de-Provence, sob a supervisão do diretor médico Jean-Marc Boulon.
Quando e onde aconteceu: a visita de estudo ocorreu em maio de 2022, no hospital/centro terapêutico Saint-Paul, onde Van Gogh viveu por um ano. A obra faz parte de uma exposição em preparação para o Getty, com abertura prevista para outubro de 2024 e exposição Ultrar‑Violeta em 2025.
Por quê: a descoberta ajuda a situar o local onde as iris de Van Gogh floresciam. O jardim ainda existe, cercado por muros, e fica atrás das alas masculinas do complexo. Análises sugerem que o pólen pode ter origem de pinheiro-olmo, comum na área.
Descoberta e origem do pólen
O cone de pólen mede pouco mais de 1 cm e provavelmente veio de um pinheiro-olmo, árvore mediterrânea presente no jardim à época. O local exato de pintura fica próximo de um monte no fundo do jardim, apontado por um médico do hospital como provável ponto de referência da cena.
Evidências na obra de Van Gogh
A presença do pólen coincide com a visão de Van Gogh, que pintou o jardim ao longo de 1889. Observações anteriores, como as descrições do crítico Félix Fénéon, já indicavam tons violetas. A equipe do Getty sustenta que o pigmento vermelho original nas flores desbotou, alterando a tonalidade para o azul atual.
Contexto histórico e exposição
A cor violeta original das iris era resultado de uma mistura de vermelho e azul que hoje perdeu parte do pigmento vermelho. A Getty planeja uma reconstrução colorimétrica para mostrar como a obra poderia ter visto a luz originalmente. A peça ficará sob custódia do Getty, sem viagem prevista a Londres.
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