- Brasil tem representantes de três dos quatro grupos de aranhas de importância médica.
- Dados de 2022 do Ministério da Saúde indicam, em média, 33 mil acidentes e 18 mortes por aranhas no país por ano.
- Aranha armadeira é considerada a mais venenosa, mas a gravidade depende de várias variáveis; o soro antiaracnídico evita a maioria das mortes.
- Aranha-marrom, com 19 espécies no Brasil, é a mais comum em acidentes e pode causar necrose e, sem tratamento, falência renal.
- Viúva-negra e aranha da teia de funil aparecem como de interesse médico: as viúvas respondem por menos de 0,4% dos acidentes e não são agressivas; há antídoto para a teia de funil desde 1981 e não houve mortes desde então.
O Brasil figura entre os países com maior número de acidentes com aranhas. Segundo dados, o país registra, em média, 33 mil ocorrências anuais e 18 mortes por aracnídeos. Embora haja espécies perigosas, a maior parte dos incidentes decorre de contato ou incompreensão sobre o animal.
A comparação com a Austrália, famosa por diferentes espécies, mostra que o país não registra mortes por picadas desde a década de 1980. A diferença pode estar relacionada a fatores como atendimento médico e disponibilidade de soros. O tema costuma gerar alarmismo, mas a abordagem é de prevenção.
O ranking divulgado aponta que 3 das 4 aranhas de maior risco no mundo têm representantes no Brasil. A lista traz exemplos que aparecem com frequência em ambientes domésticos e rurais, reforçando a necessidade de cuidado e identificação para evitar pânico injustificado.
Aranha armadeira (gênero Phoneutria)
A armadeira é associada a picadas dolorosas e, em alguns casos, risco sério à saúde. O veneno é potente, mas o nível de gravidade depende de variáveis como tempo de atendimento e saúde da vítima. O soro antiaracnídico reduz significativamente o risco de mortes.
Essas aranhas são de cor cinza a castanho, com pelos perceptíveis e marcação preta no cefalotórax. A postura de ataque, com as pernas erguidas, facilita a identificação. Costumam aparecer em locais externos, incluindo dentro de casas, caixas e sob objetos.
Há registros de incidentes isolados envolvendo armadeiras, como um caso de 2015 no Reino Unido, em que ovos encontrados em bananas precisaram de investigação policial. Em geral, a picada causa dor imediata, suor, náusea e, em alguns casos, alterações de pressão arterial e convulsões.
Aranha-marrom (Loxosceles)
Entre as mais comuns em acidentes no Brasil, as aranhas-marrons somam cerca de 19 espécies presentes. Adaptadas ao ambiente urbano, costumam passar despercebidas em calçados e roupas. A maioria dos casos ocorre entre outubro e março nas regiões Sul e Sudeste.
Caracterizam-se por envergadura de 2 a 5 cm, corpo de formato de pêra e marcação em violino nas costas. As teias são irregulares e o ambiente de Abrigo inclui cascas, folhas secas e entulhos. A picada inicialmente pode ser indolor, evoluindo para necrose.
Sem tratamento, pode haver complicações graves, incluindo insuficiência renal. A presença de pronto atendimento médico é crucial para mitigar danos aos tecidos.
Viúva-negra (Latrodectus)
As quatro espécies de viúva-negra presentes no Brasil compõem o terceiro grupo de risco entre aranhas. Embora peçonhenta, a incidência de acidentes é baixa, respondendo por menos de 0,4% dos casos anuais.
O veneno tem efeito neurotóxico e pode provocar dores musculares, náuseas e alterações cardiovasculares. As morsuras ocorrem principalmente quando a aranha se sente pressionada. Fêmeas são maiores que os machos, com padrões que variam entre preto, marrom e vermelho.
Essas aranhas não costumam ser agressivas e, na natureza, mantêm hábitos sedentários. O temor público costuma ser desproporcional em relação ao risco real, com a maioria das ocorrências associada à sensibilidade individual.
Aranha da teia de funil (Atracidae)
Nativas de florestas úmidas, as aranhas de teia de funil possuem veneno potente que pode ser fatal sem tratamento. Entende-se que, desde a criação de antídoto em 1981, não houve mortes registradas.
O corpo varia de 1 a 5 cm, com fêmeas geralmente maiores que os machos. A carapaça frontal é peluda e brilhante, com cores que vão do preto ao marrom. A teia forma um túnel, com linhas de seda que vibram quando a presa passa, permitindo o ataque rápido.
A toca pode ter até 30 cm de profundidade. A caça ocorre quando a aranha detecta vibrações e injeta o veneno após o contato com a presa.
Como se prevenir
Caso haja avistamento doméstico, procure os bombeiros pelo 193. Em acidentes, levar o animal ou uma foto facilita o atendimento médico. Não há evidência de que repelentes funcionem contra aranhas. Evite acúmulo de entulho e mantenha telas nas janelas.
Adeque lixo, veda frestas e utilize aspirador de pó para reduzir frestas que favoreçam a presença de aranhas. Reduzir a proliferação de insetos, principal alimento dessas espécies, ajuda na prevenção.
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