Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Aves guiam coletores de mel a grande parte da safra em reserva de Moçambique

Guia de abelhas orienta 75% da colheita de mel na Reserva Especial do Niassa, Moçambique, beneficiando 47 aldeias e gerando mais de $40 mil ao ano

Photo
0:00
Carregando...
0:00
  • Honey-hunters de Niassa, em Moçambique, obtêm 75% de sua colheita de mel com a ajuda de abelhas guias
  • Estudo entrevistou 141 caçadores em 13 aldeias em 2019 e utiliza dados de 46 das 47 aldeias da reserva
  • Março de 2025, estima-se que cerca de 500 caçadores coletam 14.000 litros de mel por ano com o auxílio dos abelhas-guia
  • O valor da colheita foi de mais de $23.000 em 2018 e mais de $40.000 em 2023
  • A parceria contribui para a renda de comunidades locais com poucos empregos formais, além de servir como apoio em anos de seca

Honeyguides ajudam caçadores de mel a encontrar a maior parte da colheita em reserva de Moçambique

Caçadores de mel no norte de Moçambique dependem de abelhas-guia para localizar três quartos da colheita anual, aponta estudo publicado na Ecosystem Services. Em Niassa, 47 aldeias no interior de uma reserva de 4,2 milhões de hectares contam com a ajuda das aves para encontrar ninhos de abelhas africaníssimas.

O estudo liderado pela ecologista Jessica van der Wal ouviu 141 caçadores em 13 aldeias de Niassa em 2019. Os dados foram cruzados com informações coletadas por guardiões da vida selvagem locais, que acompanham a atividade desde 2021.

Esses guardiões, homens e mulheres nascidos na região, registram há quase duas décadas invasões de babuínos, tipos de peixes e, mais recentemente, as quantidades de mel colhidas com o auxílio das abelhas-guia. A parceria é descrita como vital para a renda familiar na zona.

O que o estudo revela

Segundo Van der Wal, 75% do mel total obtido nas expedições foi produzido com a ajuda das honeyguides. A pesquisa estima que cerca de 500 caçadores na Niassa coletam 14 mil litros de mel por ano com o suporte das aves.

O valor da colheita foi estimado em mais de US$ 23 mil em 2018 e acima de US$ 40 mil em 2023, números que destacam o peso econômico da prática para comunidades locais com renda diária baixa.

A maioria dos 67 mil habitantes da Niassa pertence aos grupos Yao, Matambwe e Macua, com renda inferior a US$ 2 por dia e desempenho econômico limitado em empregos formais, como turismo ou gestão pública. O mel aparece, portanto, como fonte relevante de sustento.

Perspectivas e desdobramentos

A pesquisa também aponta que a caça ao mel, auxiliada pelas honeyguides, serve como rede de segurança alimentar em anos de seca, quando hortas e safras sofrem. Em anos de fome, 56% dos entrevistados intensificaram a caça ao mel.

Alguns moradores utilizam colmeias de casca de árvore ou modelos comerciais para deter ataques de elefantes, mas a prática de beekeeping formal continua pouco presente. Especialistas citados no estudo destacam que a parceria tende a persistir pela ausência de uma indústria de apicultura consolidada na região.

Os autores indicam que a cooperação pode favorecer a conservação, já que a busca por ninhos leva os caçadores a atividades de monitoramento ambiental e eventual denúncia de atividades ilegais. A pesquisa foi publicada por Van der Wal e colegas, com apoio de outras instituições internacionais.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais