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ChatGPT revela seu estilo único na redação de artigos informativos

Estudo aponta que um em cada sete artigos biomédicos de 2024 foi produzido com inteligência artificial, alterando o vocabulário científico.

Jonathan Kemper (Foto: Reprodução)
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  • Um estudo publicado na revista Science Advances revelou que um em cada sete artigos biomédicos de 2024 foi escrito com a ajuda de inteligência artificial generativa, como o ChatGPT.
  • A pesquisa, liderada pelo cientista de dados Dmitry Kobak, analisou mais de 15 milhões de resumos de artigos na base de dados Pubmed entre 2010 e 2024.
  • Observou-se uma mudança significativa no vocabulário dos resumos em 2024, com aumento no uso de palavras de estilo em vez de conteúdo.
  • Um conjunto de 454 palavras, incluindo verbos e adjetivos que não se relacionam diretamente com a pesquisa, tornou-se mais frequente.
  • O uso excessivo de palavras de estilo pode indicar a utilização de modelos de linguagem na redação científica, levantando questões sobre a qualidade dos trabalhos acadêmicos.

Um estudo recente publicado na revista *Science Advances* revelou que um em cada sete artigos biomédicos de 2024 foi escrito com a ajuda de inteligência artificial generativa, como o ChatGPT. A pesquisa, liderada pelo cientista de dados Dmitry Kobak, da Universidade de Tübingen, analisou mais de 15 milhões de resumos de artigos indexados na base de dados Pubmed entre 2010 e 2024.

Os pesquisadores observaram uma mudança significativa no vocabulário utilizado nos resumos em 2024, com um aumento no uso de palavras de estilo em detrimento do conteúdo. Um conjunto de 454 palavras passou a ser mais frequente, incluindo verbos e adjetivos que não se relacionam diretamente com a pesquisa, mas sim com a forma de escrita. Termos como “descobertas” e “potencial” foram comuns, assim como adjetivos hiperbólicos como “incomparável”.

Mudanças no Vocabulário

Historicamente, o vocabulário dos artigos científicos evolui com o tempo. Em 2015, por exemplo, o uso da palavra “ebola” aumentou devido à epidemia, enquanto em 2017, “zika” ganhou destaque. Durante a pandemia de Covid-19, cerca de 190 termos, principalmente substantivos, se tornaram mais frequentes, como “lockdown” e “máscara”. No entanto, a mudança observada em 2024 é notável, pois o vocabulário excedente consiste quase inteiramente em palavras de estilo.

A incidência do uso dessas palavras é ainda maior em artigos de pesquisadores de países como China e Coreia do Sul, além de áreas como computação e bioinformática, onde chega a um em cada cinco artigos. Kobak afirmou que o viés do uso de IA é elevado e que os números podem ser ainda maiores neste ano.

Tendências Futuras

O uso excessivo de palavras de estilo pode se tornar um indicador da utilização de modelos de linguagem na escrita científica. Contudo, um estudo recente sugere que algumas palavras associadas ao uso de IA, como “aprofundamento”, estão se tornando menos frequentes, possivelmente porque os autores estão ajustando suas solicitações aos modelos para evitar esses termos.

A crescente adoção de inteligência artificial na redação científica levanta questões sobre a qualidade e a originalidade dos trabalhos acadêmicos, refletindo uma nova era na produção de conhecimento.

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