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Recuperar peso após emagrecimento é um desafio comum para muitas pessoas

Estudos revelam que o reganho de peso após o uso de análogos do GLP-1 é comum e pode ser acelerado por fatores biológicos complexos.

Reganho de peso após emagrecimento é uma realidade comum (Foto: Valery/Adobe Stock)
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  • O uso de medicamentos para emagrecimento, como os análogos do GLP-1, está se tornando comum, mas estudos recentes mostram que o reganho de peso após a interrupção do tratamento é frequente.
  • Especialistas discutiram esses mecanismos durante o XXI Congresso Brasileiro de Obesidade e Síndrome Metabólica, desafiando a ideia de que emagrecer depende apenas da força de vontade.
  • Medicamentos como Wegovy (semaglutida) e Mounjaro (tizerpatida) são eficazes, mas até quinze por cento dos pacientes que fazem cirurgia bariátrica podem voltar a ganhar peso em cinco a dez anos.
  • A inflamação no hipotálamo e mudanças epigenéticas são fatores que dificultam a manutenção do peso. Estudos em camundongos indicam que dietas ricas em gordura prejudicam a sinalização hormonal.
  • A dificuldade em manter o peso perdido é influenciada por dieta, exercício e exposição a poluentes, ressaltando a complexidade do controle do peso e a necessidade de abordagens que considerem esses fatores.

O uso de medicamentos para emagrecimento, como os análogos do GLP-1, tem se tornado comum, mas novos estudos revelam que o reganho de peso após a interrupção do tratamento é frequente e pode ser acelerado por fatores biológicos. Durante o XXI Congresso Brasileiro de Obesidade e Síndrome Metabólica, especialistas discutiram esses mecanismos, desafiando a ideia de que emagrecer depende apenas de força de vontade.

Os medicamentos, como Wegovy (semaglutida) e Mounjaro (tizerpatida), têm mostrado eficácia no tratamento da obesidade. Contudo, pesquisas indicam que até 15% dos pacientes que se submetem a cirurgias bariátricas podem voltar a ganhar peso em cinco a dez anos. O professor Licio Velloso, da Unicamp, destacou que o reganho de peso pode ser ainda mais acentuado após a interrupção dos análogos do GLP-1, levando os pacientes a recuperar mais massa gorda do que magra.

Mecanismos Biológicos

Os especialistas apontam que a manutenção do peso envolve processos complexos, incluindo a inflamação no hipotálamo, uma região do cérebro que regula a fome. Estudos em camundongos mostraram que uma dieta rica em gordura ativa respostas inflamatórias que prejudicam a sinalização hormonal, dificultando a perda de peso. Além disso, mudanças epigenéticas podem deixar marcas duradouras no tecido adiposo, influenciando a expressão gênica mesmo após a perda de peso.

A endocrinologista Sylka Rodovalho questionou a teoria da compensação, que sugere que o corpo entra em “modo de defesa” após emagrecimento. Pesquisas recentes indicam que, após a perda de peso, os hormônios relacionados à fome e saciedade podem se estabilizar em níveis semelhantes aos de indivíduos magros, sugerindo ajustes fisiológicos em vez de compensações anormais.

Desafios na Manutenção do Peso

A dificuldade em manter o peso perdido é um desafio multifatorial. Fatores como dieta, exercício físico e exposição a poluentes podem influenciar as mudanças epigenéticas. O estudo de Cátia Martins, da Universidade do Alabama, revelou que indivíduos que perderam peso mantiveram alterações hormonais que não se comportam como compensações, mas sim como adaptações naturais.

Essas descobertas ressaltam a complexidade do controle do peso e a necessidade de abordagens que considerem não apenas a dieta e o exercício, mas também os mecanismos biológicos subjacentes. A discussão sobre o reganho de peso e suas causas continua a evoluir, refletindo a necessidade de uma compreensão mais profunda do metabolismo humano.

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