- A alga invasora Rugulopteryx okamurae causa problemas nas praias do Estreito de Gibraltar, especialmente em Cádiz e Málaga.
- Desde sua detecção há nove anos, a alga se espalhou rapidamente, exigindo a retirada constante de toneladas de resíduos.
- A Junta de Andalucía aprovou um novo plano de gestão que permite o uso dos resíduos como matéria-prima, mas especialistas questionam sua eficácia.
- A alga, originária do Pacífico, pode gerar até 600 novos exemplares, sufocando espécies nativas e alterando ecossistemas.
- O plano inclui monitoramento da alga e proteção de espécies nativas, mas há críticas sobre a lentidão das ações e a necessidade de focar na mitigação dos impactos.
A alga invasora Rugulopteryx okamurae continua a causar sérios problemas nas praias do Estreito de Gibraltar, especialmente em Cádiz e Málaga. Desde sua detecção, há nove anos, a alga tem se espalhado rapidamente, exigindo a retirada constante de toneladas de resíduos. Recentemente, a Junta de Andalucía aprovou um novo plano de gestão que permite o uso desses resíduos como matéria-prima, mas especialistas permanecem céticos quanto à eficácia da medida.
O avanço da Rugulopteryx, originária do Pacífico, é alarmante. Um único indivíduo pode gerar até 600 novos exemplares, sufocando espécies nativas e alterando ecossistemas locais. A situação é crítica, com a presença da alga já registrada em todas as comunidades costeiras da Espanha, exceto nas Ilhas Baleares. O professor de Ecologia da Universidade de Cádiz, Juan José Vergara, alerta que o problema não se limita ao que é visível nas praias, mas se estende ao que ocorre subaquaticamente.
As praias de Cádiz, como La Caleta, enfrentam um acúmulo significativo de algas, levando a um esforço diário de limpeza que já ultrapassa 60 toneladas. A coleta é dificultada pela limitação de capacidade dos tratores, que conseguem retirar apenas 13 toneladas por vez. O Grupo Municipal do PP de Cádiz planeja solicitar medidas urgentes ao governo regional e ao Ministério de Transição Ecológica para enfrentar a situação.
O novo plano de gestão da Junta de Andalucía busca mitigar a invasão, propondo um monitoramento da alga e a proteção de espécies nativas. No entanto, Vergara critica a lentidão das ações e questiona a possibilidade de reverter a situação em áreas já afetadas. Ele sugere que, em vez de tentar eliminar a alga, o foco deve ser em mitigar seus impactos e aprender com a situação para evitar futuras invasões.
O plano também prevê a possibilidade de utilizar os resíduos da alga para compostagem e produção de fertilizantes, desde que respeitados critérios específicos. Essa abordagem visa solucionar o problema prático enfrentado pelos municípios, que atualmente não têm um destino viável para os resíduos. A Junta se baseia em regulamentações europeias que permitem exceções para o uso de espécies invasoras em projetos de interesse público, mas especialistas alertam que o objetivo não deve ser o lucro, mas sim a gestão sustentável da situação.
Entre na conversa da comunidade