Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Ex-caçadores protegem tartarugas marinhas ameaçadas em Cabo Verde

Ex-caçadores passam a vigiar tartarugas em Cabo Verde; queda da caça ilegal, mas comércio clandestino e aplicação da lei permanecem como desafios

Seven years into patrolling on Cabo Verde’s islands, Roni Nelson Batista Ramos now protects endangered sea turtles on the beaches where he once poached them.
0:00
Carregando...
0:00
  • Roni Nelson Batista Ramos, após sete anos de patrulha em Cabo Verde, passou a proteger tartarugas marinhas nas praias onde antes caçava.
  • A criminalização da morte de tartarugas ameaçadas e ações de conservação reduziram drasticamente a caça, com várias pessoas multadas e se adaptando a novas atividades.
  • Segundo a Turtle Foundation, as capturas ilegais de tartarugas fêmeas na ilha Boa Vista caíram de 1.253 em 2007 para 20 em 2024, enquanto ninhos de tartarugas de casco cinzento aumentaram mais de sete vezes.
  • Cerca de uma dúzia de ex-caçadores são empregados por organizações de conservação para manter a caça em baixa nas praias do país.
  • O comércio ilegal segue, com carne de tartaruga vendida no mercado negro a valores entre 3 e 7 euros por quilo, podendo chegar a 12 euros por quilo; há relatos de exportação para Estados Unidos e França.

Roni Nelson Batista Ramos passou sete anos patrulhando as ilhas de Cabo Verde e hoje protege tartarugas marinhas ameaçadas nas praias onde antes as caçava. Ele revela que, décadas atrás, caçar tubarões era comum para alimentar a família e que a carne de tartaruga era consumida livremente pelos moradores. A legislação mais rígida criminalizou a matança de espécies ameaçadas, reduzindo significativamente a caça no país.

A queda da caça é atribuída a esforços de conservação, fiscalização com apoio de tecnologia e novas oportunidades de emprego para moradores. Ramos afirma que hoje vigia as tartarugas contra caçadores e vê impactos positivos na conservação.

Ramos faz parte de cerca de uma dúzia de ex-caçadores contratados por organizações de conservação para reduzir a caça nas praias do arquipélago. Segundo a Turtle Foundation, as capturas ilegais de tartarugas fêmeas em Boa Vista caíram de 1.253 em 2007 para 20 em 2024, e os ninhos da tartaruga cabeçuda aumentaram mais de sete vezes no mesmo período.

Atividades de patrulha e resultados

A Turtle Foundation coordena patrulhas com rangers. O engajamento local inclui a criação de empregos e o uso de tecnologia para monitorar áreas remotas. Pesquisas indicam que outros fatores, como o turismo de observação de tartarugas, também contribuem para a redução da caça.

Apesar da diminuição do crime nas praias monitoradas, a captura de tartarugas por pescadores no alto-mar, para consumo ou venda, manteve-se estável entre 2008 e 2019. O valor de mercado da carne pode variar conforme o comprador, alimentando o comércio ilegal.

A tartaruga cabeçuda é uma das espécies que yetnestam em Cabo Verde, o segundo ou terceiro maior contingente de ninhos no mundo, dependendo do ano e da região. Estimativas indicam que cerca de dois terços da atividade de nidificação ocorre em Boa Vista.

Desafios e contexto

Na ilha, a temporada de desova ocorre de junho a outubro. Equipes da Turtle Foundation mantêm cinco campos e patrulham cerca de 31 quilômetros de litoral, com vigílias noturnas para evitar depredação de ninhos e registrar tartarugas com identificação.

O comércio ilegal envolve diversos mercados, inclusive possíveis exportações para países como EUA e França. Observa-se que exportadores e viajantes emigrantes ajudam a manter a demanda pela carne ou partes da tartaruga, dificultando a erradicação das atividades.

Além das ameaças de caça, outros riscos incluem aquecimento e poluição, sobrepesca e capturas acidentais (bycatch). A renovação de acordos de pesca entre Cabo Verde e a União Europeia pode impactar espécies marinhas, incluindo tartarugas, sharks e raias, se não houver salvaguardas adequadas.

Especialistas apontam a necessidade de ampliar a segurança jurídica, melhorar a aplicação da lei e intensificar a participação comunitária. A criação de empregos estáveis, educação ambiental e cooperação com ONGs são citadas como caminhos importantes para reduzir a caça e fortalecer a conservação.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais