- A Assembleia Nacional da França aprovou a construção de 14 novos reatores nucleares.
- A energia nuclear já responde por 68% da eletricidade do país, gerada por 57 reatores.
- O apoio popular à energia nuclear aumentou para 75% após a invasão da Ucrânia.
- O custo estimado da construção subiu de 51,7 bilhões para 67,4 bilhões de euros, e os novos reatores devem começar a operar em 2035.
- Especialistas alertam sobre a viabilidade do projeto e a dependência de urânio importado, que vem principalmente de países como Kazajistão e Níger.
A Assembleia Nacional da França aprovou a construção de 14 novos reatores nucleares, reforçando a estratégia energética do país, que já depende de 57 reatores para gerar 68% de sua eletricidade. O apoio popular à energia nuclear cresceu após a invasão da Ucrânia, com 75% da população a favor da expansão do setor, segundo pesquisa do instituto Ifop.
O primeiro-ministro, François Bayrou, defendeu a reativação do programa nuclear, enfatizando a importância da soberania energética e a vulnerabilidade do país em relação a fornecedores de combustíveis fósseis. Atualmente, 60% da energia consumida na França provém de fontes fósseis, o que levanta preocupações geopolíticas. A construção dos novos reatores, que deve começar em 2027 e entrar em operação a partir de 2035, enfrenta desafios financeiros. O custo estimado subiu de 51,7 bilhões para 67,4 bilhões de euros.
Apesar do apoio popular, especialistas alertam sobre a viabilidade do projeto. O Tribunal de Contas da França indicou que o país não está preparado para cumprir os prazos estabelecidos. Além disso, a dependência de urânio importado é uma preocupação crescente, já que 80% do urânio utilizado vem de países estrangeiros, como Kazajistão e Níger. A instabilidade política em algumas dessas nações pode comprometer a segurança do abastecimento.
Os críticos, incluindo membros da esquerda e ambientalistas, destacam os riscos associados aos reatores mais antigos e a questão dos resíduos nucleares, que permanece sem solução. O debate sobre a energia nuclear na França continua polarizado, refletindo a complexidade da transição energética em um contexto global em mudança.
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